Os incêndios florestais continuam a figurar entre os maiores e mais dramáticos problemas ambientais, sociais e políticos de Portugal. Ano após ano, milhares de hectares são reduzidos a cinzas, perpetuando uma tragédia recorrente que alterna entre anos maus e catastróficos — como o ano negro de 2017, que ceifou 119 vidas e destruiu mais de meio milhão de hectares.
Com o agravamento da crise climática, os cenários extremos são agora a norma. Em 2026, a manifestação do fenómeno El Niño — com alertas expressos da Organização Meteorológica Mundial (OMM) para secas severas, precipitação extrema e vagas de calor sufocantes — veio adicionar uma pressão devastadora sobre o território português. Os grandes incêndios já registados este ano, como o de Vouzela, em julho (responsável por metade da área ardida nacional até ao momento), são o sintoma visível de um país vulnerável e desarmado.
A monocultura do Eucalipto: O principal ingrediente para o desastre
A perda de resiliência do nosso território não é um acidente natural. É o resultado direto de décadas de políticas florestais erradas, da desregulação promovida por sucessivos governos e do domínio sufocante do lobby da indústria de pasta de papel, papel e biomassa lenhosa, incluindo vastos subsídios públicos e mecanismos de apoio direcionados para o setor.
A proliferação descontrolada das monoculturas de eucalipto transforma a paisagem num autêntico pavio, permitindo que os incêndios se propaguem com velocidade e violência incalculáveis. Para além da combustibilidade extrema, estas explorações exercem uma pressão insustentável sobre os recursos hídricos, secando os solos e agravando o impacto das secas severas, cujas ocorrências, com maior frequência, são agravadas pelas alterações climáticas.
O meio natural tem perdido a sua capacidade de resiliência e adaptação a um clima mais seco, mais quente e mais propício aos incêndios florestais. A cobertura de eucaliptais pelo país tem-se intensificado no país ao longo dos anos, com destaque para as regiões Centro e Norte.
Em 2022, a Relatora Especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos e o Ambiente foi clara ao recomendar a redução drástica da área de eucaliptal e a sua substituição por espécies autóctones mais resistentes ao fogo — como carvalhos, sobreiros e castanheiros —, ao lado da criação de mosaicos paisagísticos diversificados. No entanto, o poder económico da indústria da celulose continuou a garantir acesso privilegiado à decisão política, bloqueando a reforma florestal e garantindo subsídios públicos para um modelo falhado que privatiza os lucros e socializa o prejuízo da destruição e da perda de vidas.
A Environmental Paper Network preparou um briefing onde aprofunda a relação entre os incêndios florestais, a crise climática e a propagação da monocultura do eucalipto, fomentada pelos interesses da indústria da celulose, do papel e da biomassa lenhosa.
Exigências urgentes: O que o Estado deve fazer agora
Os incêndios florestais continuam a figurar entre os maiores e mais dramáticos problemas ambientais, sociais e políticos de Portugal. Ano após ano, milhares de hectares são reduzidos a cinzas, perpetuando uma tragédia recorrente que alterna entre anos maus e catastróficos — como o ano negro de 2017, que ceifou 119 vidas e destruiu mais de meio milhão de hectares.
Com o agravamento da crise climática, os cenários extremos são agora a norma. Em 2026, a manifestação do fenómeno El Niño — com alertas expressos da Organização Meteorológica Mundial (OMM) para secas severas, precipitação extrema e vagas de calor sufocantes — veio adicionar uma pressão devastadora sobre o território português. Os grandes incêndios já registados este ano, como o de Vouzela, em julho (responsável por metade da área ardida nacional até ao momento), são o sintoma visível de um país vulnerável e desarmado.
A monocultura do Eucalipto: O principal ingrediente para o desastre
A perda de resiliência do nosso território não é um acidente natural. É o resultado direto de décadas de políticas florestais erradas, da desregulação promovida por sucessivos governos e do domínio sufocante do lobby da indústria de pasta de papel, papel e biomassa lenhosa, incluindo vastos subsídios públicos e mecanismos de apoio direcionados para o setor.
A proliferação descontrolada das monoculturas de eucalipto transforma a paisagem num autêntico pavio, permitindo que os incêndios se propaguem com velocidade e violência incalculáveis. Para além da combustibilidade extrema, estas explorações exercem uma pressão insustentável sobre os recursos hídricos, secando os solos e agravando o impacto das secas severas, cujas ocorrências, com maior frequência, são agravadas pelas alterações climáticas.
O meio natural tem perdido a sua capacidade de resiliência e adaptação a um clima mais seco, mais quente e mais propício aos incêndios florestais. A cobertura de eucaliptais pelo país tem-se intensificado no país ao longo dos anos, com destaque para as regiões Centro e Norte.
Em 2022, a Relatora Especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos e o Ambiente foi clara ao recomendar a redução drástica da área de eucaliptal e a sua substituição por espécies autóctones mais resistentes ao fogo — como carvalhos, sobreiros e castanheiros —, ao lado da criação de mosaicos paisagísticos diversificados. No entanto, o poder económico da indústria da celulose continuou a garantir acesso privilegiado à decisão política, bloqueando a reforma florestal e garantindo subsídios públicos para um modelo falhado que privatiza os lucros e socializa o prejuízo da destruição e da perda de vidas.
A Environmental Paper Network preparou um briefing onde aprofunda a relação entre os incêndios florestais, a crise climática e a propagação da monocultura do eucalipto, fomentada pelos interesses da indústria da celulose, do papel e da biomassa lenhosa.
EXIGÊNCIAS URGENTES: O que o Estado deve fazer agora
Não podemos continuar a ver o país arder enquanto se mantêm os mesmos privilégios e a mesma inércia. A associação Quercus e a rede Environmental Paper Network exigem medidas imediatas e vinculativas:
Regulação e travão à monocultura
- Moratória imediata ao Eucalipto: Suspensão total e efetiva de novas arborizações e rearborizações com eucalipto em todo o território nacional.
- Metas vinculativas de conversão: Estabelecimento de um plano nacional para a redução progressiva da área de eucaliptal até 2030, impondo a substituição obrigatória por espécies autóctones (carvalhos, sobreiros, castanheiros e azinheiras).
- Fim da desregulação: Revisão urgente do RJAAR (Regime Jurídico das Ações de Arborização e Rearborização) e reforço imediato da fiscalização no terreno.
Responsabilização financeira
- Aplicação do princípio Poluidor-pagador: Criação de uma taxa sobre o impacto ambiental da indústria da pasta de papel e biomassa. As empresas que lucram com a monocultura têm de financiar a prevenção, o combate aos incêndios e o restauro ecológico.
Valorização do território e do mundo rural
- Pagamento por Serviços Ambientais (PSA): Apoio financeiro direto, justo e desburocratizado aos pequenos proprietários que plantam e mantêm floresta autóctone de lento crescimento.
- Mosaicos paisagísticos e faixas de gestão: Obrigatoriedade de faixas ecológicas de proteção com folhosas e galerias ripícolas ao longo de estradas, cursos de água e cristas de serras.
- Apoio à gestão tradicional: Incentivo à pastorícia e agricultura de montanha como métodos sustentáveis de gestão de biomassa e combate à desertificação humana.
É hora de escolher entre a salvaguarda da vida, do território e do futuro do país, ou a manutenção dos lucros de um setor que tem transformado Portugal num cenário permanente de cinzas.
Não podemos continuar a ver o país arder enquanto se mantêm os mesmos privilégios e a mesma inércia. A associação Quercus e a rede Environmental Paper Network exigem medidas imediatas e vinculativas:
18 Agosto 2026