• Químicos

    Nesta seção poderá consultar documentação, conselhos e contactos relacionados com as substâncias químicas que estão presentes no nosso dia-a-dia.

  • Químicos

    Nesta seção poderá consultar documentação, conselhos e contactos relacionados com as substâncias químicas que estão presentes no nosso dia-a-dia.

Cosméticos

Cosméticos e segurança

 

O uso de produtos cosméticos está documentado desde a antiguidade. Contudo, nunca como hoje houve tantos produtos à nossa disposição. Embora nos prometam bem-estar, nem sempre é essa a realidade. Conheça um pouco melhor aquilo que se esconde atrás do marketing.

O uso de produtos para cuidado pessoal e de beleza está documentado e é reconhecido como fazendo parte de grande parte da evolução humana. Contudo, actualmente, o vasto uso que fazemos destes produtos pode voltar-se contra nós, isto porque grande parte dos seus ingredientes são de origem sintética e muitos deles podem ter impactos significativos na nossa saúde (por si ou em interacção com outras substâncias químicas a que também estamos sujeitos).


Só o mercado europeu de cosméticos movimenta, anualmente, cerca de 65 mil milhões de euros, e comercializa 5 mil milhões de produtos. Em termos de emprego, estima-se que 150 000 europeus trabalham directamente para a indústria cosmética e que mais do dobro possuam ocupações indirectamente relacionadas com esta área.


Contudo, este benefício económico traz também consigo efeitos indesejáveis, uma vez que esta indústria utiliza substâncias que, ainda que usadas em quantidades ínfimas, podem formar um cocktail perigoso. Algumas das substâncias usadas estão sob suspeita de perturbarem os sistemas hormonal, imunitário e nervoso, para além de poderem afectar o desenvolvimento do feto.


Assim, é fundamental estarmos conscientes do que estamos a usar.


Há essencialmente três aspectos aos quais devemos estar atentos:


1. Ingredientes

Os produtos cosméticos tendem a apresentar um conjunto alargado de ingredientes. Aqui deixamos algumas notas sobre os que são aos mesmo tempo frequentes e suspeitos de poderem ter efeitos negativos na saúde humana.

Perfumes: são a principal causa de alergias, sendo as crianças particularmente mais sensíveis a este tipo de substâncias. Como no produto final pode-se encontrar uma mistura de ate 100 delas, não é necessário que sejam enumeradas na etiqueta, a não ser que sejam identificadas como alergénicas para determinados usuários.

Ftalatos: os seus usos nos cosméticos incluem, entre outros, serem solventes, flexibilizarem os filmes formados nas unhas ou no cabelo, e facilitarem a absorção na pele. Podem-se encontrar em sprays para o cabelo, perfumes ou esmalte de unhas.

Parabenos: usados como conservantes em desodorizantes, produtos hidratantes e ainda em comida (recheios para bolos, cerveja e marmeladas). Suspeita-se que podem interferir com o sistema hormonal, e um deles (propylparaben) pode alteraras funções reprodutivas masculinas (diminui a produção do esperma)

Triclosan: antibacteriano usado em desodorizantes, produtos de higiene bucal e de lavagem vaginal, sabões líquidos e roupas. Pode converter-se em dioxinas (substâncias cancerígenas) em algumas condições, e é tóxico para o ambiente aquático. A legislação europeia limita a quantidade de triclosan por produto cosmético (um 0,3% de composição máxima autorizada)

AHAs: ou alfa-hidroxi ácidos, usados como exfoliantes, hidratantes e suavizantes. A sua capacidade de "pelar" a capa mais exterior da pele deu-lhe fama como rejuvenescedor, ainda que depois de ser comercializado durante algum tempo nos USA tenha surgido uma conjunto alargado de denuncias sobre os seus efeitos adversos. Não se sabe o que pode causar a longo prazo mas, devido às suas características, suspeita-se que pode aumentar a sensibilidade ao sol, provocando o envelhecimento da pele e incrementando o risco deste tipo de cancro.

BHT (Butilated hydroxytoluene): são essencialmente usados como conservantes e antioxidantes. Estão identificados como possíveis alergénios e forma ligados a eventuais efeitos comportamentais, problemas de reprodução e não são permitidos em comida para bebés.

Tolueno: Comummente encontrados em lacas e vernizes para unhas, podendo os seus efeitos ser particularmente preocupantes para pessoas que lidem com produtos desta natureza com regularidade. É irritante para a pele e tóxico para o sistema nervoso central, os olhos, o fígado e os rins.



2. Embalagem

Muitas vezes a embalagem de um produto cosmético pode representar uma boa parte da despesa final, ainda que seja o conteúdo que tem mais valor para o utilizador. A maioria dos cosméticos vende-se sobre-embalado, com muitas das suas embalagens a não puderem ser recicladas e a serem produzidas em materiais que podem contribuir para o aumento de substâncias químicas perigosas no ambiente, como é o caso do PVC, particularmente se possuírem ftalatos (que podem até passar para o produto). É recomendável preferir produtos em embalagens de vidro ou que, pelo menos, não sejam em PVC (procure o triângulo da reciclagem com o número 3 no seu interior).

3. Falsa rotulagem

Alguns dos conceitos utilizados para caracterizar um produto podem ser muito enganadores. Ainda que possa parecer que estamos a adquirir um produto natural e inócuo para a nossa saúde, em muitos casos esta sensação não corresponde à realidade.


Muitas vezes os produtos são apresentados como sendo naturais ou com componentes provenientes de métodos de produção biológicos, mas se analisar os ingredientes com mais atenção verá que, em muitos casos, trata-se de uma pequeníssima percentagem e que grande parte dos ingredientes são sintéticos e nada têm de natural ou orgânico.


A palavra perfume ou fragrância pode esconder entre 50 a 100 substâncias que, na sua maioria, não foram testadas quanto à sua segurança para a saúde humana e ambiente. Sempre que possível, prefira produtos que não incluam perfume.

 

Legislação e rotulagem


A União europeia possui enquadrmaneto legislativo sobre a área dos cosméticos desde 1976. Conheça um pouco melhor a legislação e as obrigações de rotulagem dos produtos cosméticos.


Legislação Europeia de Cosméticos

O trabalho da União Europeia sobre a área dos cosméticos tem como primeiro momento marcante a aprovação da Directiva do Conselho 76/768/CEE, no ano de 1976, que regula a área dos cosméticos na União Europeia. Este documento procura aproximar as legislações dos vários Estados-membros, de forma a assegurar a sua livre circulação e apresenta como principal objectivo a protecção da saúde pública. Neste sentido, descreve as regras de composição, rotulagem e embalagem dos produtos cosméticos. Apresenta ainda, em anexo, as substâncias proibidas e as substâncias de uso limitado. Estas listas são actualizadas regularmente, quer através de emendas introduzidas pelo Conselho ou pelo Parlamento, quer pelo trabalho de acompanhamento técnico realizado pelo Comité Científico de Produtos para o Consumidor (SCCP).

Um outro elemento fundamental nesta directiva prende-se com a proibição da realização de testes em animais e da comercialização de produtos que tenham sido testados desta forma. Nesse sentido, existem dois aspectos que merecem ser sublinhados:

• Proibição de experimentar os produtos acabados em animais, que se aplica desde Setembro de 2004, e de experimentar os ingredientes ou combinações de ingredientes, sendo esta proibição de aplicação progressiva, à medida que vão sendo validados métodos alternativos. A data limite para pôr fim ao teste de ingredientes ou combinações em animais é 11 de Março de 2009;

• Proibição de comercializar os produtos acabados ou ingredientes experimentados em animais, que se aplica de forma progressiva, à medida que sejam adoptados métodos alternativos, e que tem como data limite 11 de Março de 2009. Esta data não se aplica aos testes relacionados com a toxicidade para a reprodução, toxicidade e toxicinética, cuja data limite de realização é 11 de Março de 2013.

Os produtores ou as pessoas responsáveis pela comercialização dos produtos cosméticos são responsáveis por garantir a sua segurança, muito embora exista uma forte controvérsia em torno de muitas das substâncias utilizadas, sendo que muitas não foram avaliadas quanto ao seu impacte na saúde humana e no ambiente.


Rotulagem

Os rótulos são dos poucos instrumentos que estão disponíveis para os consumidores. Ainda que não apresentem toda a informação que deveriam, a legislação comunitária exige que, no caso dos produtos cosméticos, o rótulo apresente as seguintes características:

• As informações devem ser visíveis, claras e estar disponíveis na língua oficial do país;
• Indicação do produtor e morada da sede na União Europeia;
• Conteúdo (por volume ou peso);
• Data da durabilidade mínima, para produtos com uma durabilidade inferior a 30 meses;
• O período de tempo em que o produto se manterá em boas condições após a sua abertura, em produtos com uma duração mínima superior a 20 meses (representado pelo símbolo de um boião aberto);
• Precauções especiais de uso;
• Numero que permita a identificação;
• Funções do produto;
• Lista de ingredientes (em ordem descendente); Composições aromáticas ou de perfume poderão adoptar apenas esta designação (muito embora possam possuir na sua origem entre 50 a 100 substâncias diferentes), excepto quando tiverem sido identificados como despoletando reacções alérgicas em pessoas sensíveis.

 

 

 

 

Share

Quercus TV

 

Espreite também a Quercus TV.

 

 

Quercus ANCN ® Todos os direitos reservados
Alojamento cedido por Iberweb