Ontem, várias estações de monitorização de qualidade do ar, desde o Minho ao Litoral Alentejano, apresentaram ultrapassagens do aos limiares de informação ao público durante a tarde. Com as temperaturas a permanecerem altas, é fundamental alertar para esta questão.

 

Infelizmente as regiões Centro, Algarve e Madeira não estão a disponibilizar dados através do site na Internet do Ministério do Ambiente que centraliza essa informação (www.qualar.org), situação que a Quercus quer ver resolvida rapidamente, não se sabendo assim que níveis de ozono e de outros poluentes se têm registado nestas áreas.

 

Os efeitos do ozono

 

Os efeitos na saúde à exposição de curto prazo a elevadas concentrações de ozono passam por danos aos pulmões e inflamação das vias respiratórias, aumento da tosse e maior probabilidade de ataques de asma. São particularmente os grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias) que podem sofrer consequências mais graves.

 

Quercus exige articulação entre entidades regionais do Ministério do Ambiente e a comunicação social – avisos não estão a chegar às populações

 

As pessoas podem consultar os níveis de ozono medidos através da rede de monitorização de qualidade do ar no site do Ministério do Ambiente www.qualar.org. Porém, é obrigação das entidades regionais do Ministério (as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional) avisarem as outras autoridades e a população através da comunicação social que hoje deverá continuar a estar particularmente atenta a esta questão.

 

Se for desencadeado o denominado limiar de informação (mais de 180 g/m3 numa hora) apenas os grupos sensíveis deverão tomar medidas como sejam o evitar esforços físicos e tentar permanecer em casa. No caso de se ultrapassar numa determinada zona o limiar de alerta (mais de 240 g/m3 numa hora), as medidas estendem-se a toda a população.

 

O ozono é um poluente secundário que resulta da emissão do tráfego automóvel e da combustão na indústria, emitindo óxidos de azoto e compostos orgânicos voláteis que originam então este poluente (que na estratosfera é benéfico, mas próximo da superfície pode ser consideravelmente lesivo).

 

As concentrações mais elevadas verificam-se em geral da parte da tarde, na sequência da transformação dos poluentes emitidos durante a manhã e devido às reacções químicas que ocorrem devido à intensa radiação solar e temperatura.

 

Como as ultrapassagens aos limiares têm um curto período (entre uma hora a algumas horas) os avisos têm de ser rápida e eficazmente transmitidos à população. Isso só pode ser feito através das rádios nacionais nos seus noticiários, rádios locais e televisões com uma forte componente de informação. Infelizmente isso não está a acontecer e as populações não estão a ser avisadas como seria de esperar. Tal deveria ser enquadrado por um sistema que obrigasse determinados órgãos chave da comunicação social a transmitir estes avisos à semelhança do que acontece noutros países.

 

Medidas de antecipação deverão ser pensadas pelo Ministério do Ambiente

 

No quadro da legislação vigente, deverão existir planos que evitem as elevadas concentrações de ozono, defendendo a Quercus que as limitações de tráfego e de outras fontes de poluição devem ter lugar quando se sabe que nos dias seguintes as condições são favoráveis à formação deste poluente, não sendo isto que actualmente está a acontecer.

 

Lisboa, 5 de Agosto de 2005

 

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

Para mais informações contactar Hélder Spínola, Presidente da Direcção Nacional: 93-7788472. 

 

 

 

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