Quercus quer reafirmação do compromisso de Portugal com este novo objectivo europeu

Numa comunicação publicada hoje, dia 26 de Maio, a Comissão Europeia avalia objectivamente os impactos económicos e políticos de passar o objectivo de redução de gases de efeito de estufa para 30%, até 2020. Recorde-se que actualmente existe uma meta europeia de redução de GEE em 20% para o mesmo período (entre 1990 e 2020).

 

A Comissão Europeia estima que a redução de 20% das emissões, para 2020, é pelo menos um terço mais barata (22 mil milhões de euros), que a calculada em 2008. Segundo a Comissão, o aumento da meta para 30%, pode significar a poupança de 40 mil milhões de euros em importações de combustíveis fósseis, um estímulo à inovação e criar centenas de milhares de empregos verdes.

 

A indústria até agora afirmou que as metas climáticas ambiciosas vão provocar cortes em postos de trabalho e na produção, mas o documento da Comissão mostra que o oposto é verdadeiro. Com um alvo mais forte do clima, as empresas têm de parar de lucrar com a poluição e começar a ganhar com o crescimento verde.

 

O sector da indústria transformadora tem alegado, ao nível europeu, que uma meta mais rigorosa da União Europeia expunha o sector à concorrência do exterior. Porém, ao mesmo tempo, este mesmo sector acumula milhões de euros em créditos de carbono não utilizados (principalmente devido ao abrandamento económico). 

 

Um relatório divulgado a semana passada mostra que a indústria siderúrgica, da refinação e do ferro e do aço têm, de facto, passado para os consumidores europeus, o custo imaginário destes créditos de carbono que recebem gratuitamente, somando 14 mil milhões de euros em lucros inesperados durante apenas três anos.

 

As associações ambientalistas convidam os Estados-Membros e em particular no nosso caso, o Estado Português, a apoiar as conclusões da Comissão sobre os custos e benefícios de um corte de emissões de 30%. Agora, o Conselho Europeu deve apoiar as mudanças políticas necessárias para tornar este alvo maior em realidade.

 

Este deve ser um primeiro passo para a redução das emissões em pelo menos 40% entre 1990 e 2020 por parte de todos os países industrializados, no âmbito de um acordo global sobre o clima.

 

 

Lisboa, 26 de Maio de 2010

 

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

 

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