O valor dos ecossistemas e o seu papel nas estratégias de adaptação e mitigação relacionadas com as alterações climáticas

Esta 5ª Conferência Biodiversidade na Europa decorreu de 22 a 24 de Setembro, em Liège, na Bélgica e insere-se na Estratégia Pan-Europeia para a Diversidade Biológica e Paisagem (Pan-European Biological and Landscape Diversity Strategy), assinada por ministros de 49 países em 1995 e que constitui, acima de tudo, uma resposta europeia de suporte à implementação da Convenção da Diversidade Biológica das Nações Unidas (CBD).

 

Mais de 120 representantes de governos, empresas e ambientalistas estiveram esta semana reunidos para discutir o estado da biodiversidade na Europa e os objectivos após 2010 na região Pan-Europeia. 

 

O objectivo: definir estratégias eficazes para travar a perda de biodiversidade

 

Sendo já público que a Europa não vai atingir a meta de "parar a perda de biodiversidade até 2010", o tempo para agir é muito curto, face à crise que o planeta e a Europa atravessam, com uma larga percentagem de espécies e habitats em risco ou mau estado de conservação.Tendo em vista chegar a um entendimento comum na resolução dos desafios de conservação da natureza, este encontro visou a discussão de estratégias de lobby eficazes e meios para travar a perda de biodiversidade. Pretendeu ainda contribuir de forma especial para a discussão sobre alterações climáticas que se avizinha brevemente em Copenhaga, enfatizando o papel que os ecossistemas desempenham nas medidas de adaptação e mitigação.

 

Intervieram representantes de Ministros e especialistas de renome de várias áreas, como Pavan Sukhdev que está a dirigir um estudo sobre a valoração dos serviços dos ecossistemas (The Economics of Ecosystems and Biodiversity - TEEB), que referiu:

 

“O custo mensurável da perda de biodiversidade situa-se algures entre 1.5 e 3 triliões de euros por ano, todos os anos e durante os últimos anos. Em comparação, a soma total de todos os pacotes financeiros aprovados pelos governos em todo o mundo para mitigar a pior crise financeira do último século foi de 3 triliões de euros por ano.”

 

3 grandes temas na agenda e participação das ONG

 

Estabelecendo uma forte ligação entre as decisões da Conferência das Partes da Convenção da Diversidade Biológica, a agenda da Conferência focou-se nos seguintes tópicos:

 

- valoração dos serviços dos ecossistemas;

- biodiversidade e alterações climáticas

- evisão pós-2010 para a região Pan-Europeia.

 

Estiveram presentes participantes de toda a região Pan-Europeia, de Portugal até ao Cazaquistão, e da Rússia à Turquia. A rede CEE-Web for Biodiversity foi responsável por organizar a presença das ONG, que apesar de convidadas como observadoras, puderam participar abertamente nas mesas redondas e no Plenário.Não obstante a ausência derepresentantes do governo Português, a Quercus fez ouvir activamente a sua voz, manifestando que:

 

1. É necessário comunicar mais e melhor o valor da biodiversidade. Um inquérito recente do Eurobarómetro mostra que apenas 35% da população europeia ouviu falar e sabe o que significa a palavra biodiversidade. É necessário descodificar e adaptar a linguagem sobre o valor da biodiversidade para alguns publicos-alvo específicos, como por exemplo o sector empresarial.A questão da comunicação foi levantada recorrentemente por diversos participantes ao longo dos três dias do encontro.

 

2. No que respeita às soluções de mitigação e adaptação para as alterações climáticas, a Quercus alertou para os resultadosdo projecto de investigação europeu MACIS, que analisa as diversas opções disponíveis e seus impactes na biodiversidade. Por exemplo, a opção de construção de barragens para gerar energia hidroeléctrica é listada como uma das medidas com maior impacto negativo sobre a biodiversidade. Frisou portanto que deve ser dada prioridade às soluções de mitigação e de adaptação que não tenham impacto negativo na biodiversidade ou mesmo que tenham um impacto positivo.

 

3. A Quercus chamou a atenção para os resultados do último Relatório da Agência Europeia de Ambiente sobre indicadores de biodiversidade, que revelam falta de informação sobre o estado de muitas espécies e habitats, frisando que é importante que no âmbito das políticas de investigação sejam disponibilizados mais fundos para monitorização da biodiversidade no Espaço Pan-Europeu e para gerar dados a nível regional que suportem os modelos e estudos sobre alterações climáticas e valoração de serviços de ecossistemas.

 

4. A Quercus focou a necessidade de mais envolvimento do sector privado, já que a actividade das empresas tem impacto directo ou indirecto sobre a biodiversidade. Referiu a experiência de Portugal através da iniciativa Business and Biodiversity e frisou que não bastam as poucas iniciativas nacionais que estão em curso. É necessária uma liderança que leve ao envolvimento de mais países da Europa e até do espaço Pan-Europeu. E é necessário envolver não só as grande empresas, como também as associações que representam as PMEs e o sector cooperativo.

 

Nas mesas redondas foram recolhidas de forma bastante aberta as contribuições de todos os participantes de governos, ONGs e outros, tendo resultado desta Conferência um documento com prioridades e recomendações concretas designado "Mensagem de Liège".

 

Mais informação em:

 

www.unep.ch/roe/Biodiv5Conf.htm

 

http://www.ceeweb.org/5th_bidi_in_eu/index.htm

 

 

Lisboa, 26 de Setembro de 2009

 

 

 

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