Registado novo máximo de poluição de ozono mas avisos continuam a não chegar à população

A Quercus identificou o período que decorreu entre 15 e 19 de Julho como os piores dias em termos de poluição por ozono deste ano. Uma conclusão feita a partir da consulta do site do Ministério do ambiente (www.qualar.org), que disponibiliza informação sobre a qualidade do ar. Apesar desses dados não serem considerados validados, a realidade não deverá ser muito diferente após a verificação por parte dos técnicos das diferentes situações.

 

O ozono é um poluente secundário que se forma a partir de outros poluentes como os óxidos de azoto (emitidos pelos tráfego rodoviário e pela combustão na indústria) e os compostos orgânicos voláteis (emitidos pelo tráfego rodoviário e também por determinado tipo de espécies florestais). A formação de ozono é condicionada por forte radiação solar e elevadas temperaturas, pelo que as condições meteorológicas da última semana foram absolutamente determinadas, associadas à emissão dos poluentes primários que conduzem à formação de ozono à superfície. Os incêndios nalgumas regiões podem também ter um papel determinante nas elevadas concentrações registadas.

 

Os efeitos na saúde à exposição de curto prazo a elevadas concentrações de ozono passam por danos aos pulmões e inflamação das vias respiratórias, aumento da tosse e maior probabilidade de ataques de asma. São particularmente os grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias) que podem sofrer consequências mais graves. Quando se verificam elevadas concentrações as precauções passam por permanecer em casa ou noutros locais fechados e não fazer actividade física intensa.

 

De acordo com a legislação há dois limiares de informação obrigatória à população:

 

o limiar de informação ao público, quando se verifica um valor horário de ozono superior a 180 μg/m3, devendo as precauções ser tomadas pelos grupos sensíveis;

 

o limiar de alerta do público, quando se verifica um valor horário de ozono superior a 240 μg/m3, devendo as precauções por toda a população.

 

20 horas de excedência ao limiar de informação ao público a 18 de Julho; 

23 horas de excedência ao limiar de informação ao público a 19 de Julho; 

65 horas de excedência ao mesmo limiar entre terça-feira e sábado (15-19 de Julho).

 

Desde o Norte até à região de Lisboa e Vale do Tejo, as temperaturas mais elevadas sexta-feira e sábado últimos causaram no país a excedência, apenas nestes dois dias, em 43 horas ao limiar de informação ao público do ozono. Vouzela na Região Centro foi o caso pior com 8 horas de ultrapassagem, no dia 18 de Julho. Os valores mais elevados foram verificados em Lamas de Olo (Vila Real), 236 μg/m3, entre as 19:00 e as 20:00 horas de sexta-feira, e em Baguim (Gondomar), 240 236 μg/m3, entre as 15:00 e as 16:00 horas de sábado.

 

Para além dos elevados níveis de ozono, também os níveis de partículas em vários locais do país se têm apresentado acima do valor-limite diário de 50 μg/m3.

 

Quercus exige articulação entre entidades regionais do Ministério do Ambiente e a comunicação social – avisos NÃO ESTÃO a chegar às populações

 

A população pode consultar os níveis de ozono medidos através da rede de monitorização de qualidade do ar no site do Ministério do Ambiente  www.qualar.org. Porém, é obrigação das entidades regionais do Ministério (as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional) avisarem as outras autoridades e a população através da comunicação social, facto que sabemos habitualmente acontecer.

 

As concentrações mais elevadas verificam-se em geral da parte da tarde, na sequência da transformação dos poluentes emitidos durante a manhã e devido às reacções químicas que ocorrem devido à intensa radiação solar e temperatura.

 

Como as ultrapassagens aos limiares têm um curto período (entre uma hora a algumas horas) os avisos têm de ser rápida e eficazmente transmitidos à população. Isso só pode ser feito através das rádios nacionais nos seus noticiários, rádios locais e televisões com uma forte componente de informação. Infelizmente isso não está a acontecer e as populações não estão a ser avisadas como seria de esperar. Tal deveria ser enquadrado por um sistema que obrigasse determinados órgãos chave da comunicação social a transmitir estes avisos à semelhança do que acontece noutros países. Não é lendo nos jornais do dia seguinte a informação do que se passou que se é efectivo na prevenção em termos de saúde pública.

 

Previsão da qualidade do ar para o dia seguinte deveria ser divulgada para população estar de sobreaviso.

 

Actualmente, e da mesma forma que se disponibiliza a previsão meteorológica, a Quercus apela a que se faça um maior uso e divulgação da previsão do índice de qualidade do ar disponibilizado diariamente ao fim da tarde para o dia seguinte para as áreas mais populosas do país pela Agência Portuguesa de Ambiente com a colaboração da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade de Aveiro em http://www.prevqualar.org/jsp/pt/previsao_cidades.jsp.

 

 

Lisboa, 20 de Julho de 2008

 

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

Para mais informações contactar Hélder Spínola, Presidente da Direcção Nacional: 93-7788472.

 

 

 

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