Quercus divulga resultados finais do Programa EcoFamílias, com 30 famílias de Lisboa, Oeiras e Cascais. Novo desafio envolve 225 famílias de Portugal Continental

O programa EcoFamílias - desenvolvido no âmbito do projecto EcoCasa da responsabilidade da Quercus – Associação Nacional da Conservação da Natureza - fez o acompanhamento de 30 famílias – as EcoFamílias –, num total de 82 pessoas, residentes nos concelhos de Lisboa, Oeiras e Sintra, com o objectivo de avaliar os consumos energéticos no sector doméstico, e implementar medidas com vista à redução de consumos.

 

O relatório encontra-se disponível para download no final da seguinte página http://www.ecocasa.pt/e_ecofamilias.php.

 

A avaliação do comportamento energético das EcoFamílias foi efectuada através da medição real dos consumos de electrodomésticos e outros equipamentos, bem como dos hábitos de utilização dos mesmos. Recorreu-se também à medição dos níveis de temperatura e humidade das habitações e análise das suas características. Foram igualmente efectuadas leituras dos contadores de electricidade, gás e água. Outro aspecto em análise foi a utilização de equipamentos de energias renováveis ao nível doméstico e a sua influência na factura energética. 

 

O programa EcoFamílias, com duração de 16 meses (entre Outubro de 2005 e Janeiro de 2007), foi dividido em duas fases: a primeira fase de diagnóstico (duração de 8 meses) e a segunda de intervenção com vista a alteração de comportamentos (duração de 8 meses). Com os dados recolhidos na primeira fase foram dados conselhos para a alteração de hábitos e substituição, se possível e necessário, de equipamentos e lâmpadas. A avaliação final do programa teve por base as alterações de comportamento verificadas e as diferenças passíveis de analisar na factura energética.

 

No período em análise foram realizadas 215 visitas às EcoFamílias e foram medidos os consumos de 353 equipamentos eléctricos. Não foi no entanto possível fazer a medição dos consumos dos equipamentos a gás.

 

Do ponto de vista da construção, as EcoFamílias residem na sua maioria em apartamentos, construídos antes de 1990. A tipologia de parede exterior nas habitações das EcoFamílias é maioritariamente composta por parede simples sem isolamento (52%). O sombreamento é feito pelo exterior, maioritariamente através de estores. A orientação solar destas habitações é predominantemente a Este e Sul. 

 

Dos dados recolhidos e analisados pode afirmar-se que o número de elementos das EcoFamílias não é directamente proporcional aos gastos energéticos da mesma. Os hábitos de utilização dos equipamentos e tempo de permanência na habitação são factores mais determinantes nestes consumos.

 

Todas as EcoFamílias possuem frigorífico ou combinado, máquina de lavar roupa e televisão. O computador e aparelhagem de som estão presentes em mais de 80% delas. Os equipamentos identificados e avaliados foram agrupados nas seguintes categorias: Climatização, Cozinha, Entretenimento, Frio, Iluminação, Informática e Telecomunicações, Máquinas e Outros.

 

O grupo de entretenimento, composto pela televisão, aparelhagem de som, vídeo/DVD, apresentou consumos na ordem dos 30 kWh/mês, em média por EcoFamília, que corresponde a 9% da factura mensal de electricidade. O grupo de informática apresentou valores médios de consumo na ordem dos 27 kWh/mês. O consumo de electricidade médio mensal das EcoFamílias foi de 405 kWh.

 

Nas outras categorias realizou-se uma análise individual de alguns equipamentos, como o caso do micro-ondas (que representam 3% do consumo da electricidade), frigorífico/combinado (9% em média) e máquina de lavar roupa (4%). 

 

Pela análise dos dados pode afirmar-se que a utilização dos equipamentos eléctricos não tem uma relação directa com o número de pessoas que habitam uma casa. Outro dado que se pode retirar é que a maioria dos equipamentos apresentam consumos fantasma, também designados por off-power, e/ou de stand-by. As lâmpadas incandescentes ainda são o tipo de lâmpadas mais utilizadas nas habitações em estudo. Esta categoria representa 10% do consumo das famílias que foi medido, existindo em média 7,4 lâmpadas por assoalhada.

 

As EcoFamílias já têm, em 69% dos casos, abastecimento por gás natural, tendo apresentado um consumo médio de 25 m3 (n) GN/mês. As famílias que possuem sistemas de aquecimento central a gás foram as que apresentaram maiores consumos. 

 

A avaliação da temperatura e da humidade em determinadas assoalhadas das EcoFamílias permitiu verificar a existência de amplitudes térmicas significativas nas divisões, o que conduz a situações de desconforto térmico. Esta situação conduz à necessidade de alguns agregados familiares recorrerem de modo sistemático a aquecimento no período de Inverno. No interior da maioria das habitações a temperatura de conforto era menor em relação ao que seria desejável (18 ºC), oscilando bastante em função da temperatura exterior, o que mostra problemas de isolamento.

 

O irradiador a óleo é o equipamento para aquecimento presente no maior número de EcoFamílias, e o desumidificador encontra-se presente com maior frequência nas famílias residentes no concelho de Sintra.

 

No que respeita às emissões de gases de efeito de estufa (em particular de dióxido de carbono) associadas aos consumos de energia, verificou-se, tal como para os consumos de electricidade e gás, uma variação muito significativa de emissões entre famílias. Em média, estas emissões foram na ordem das 254 kg CO2/mês, havendo emissões de famílias com valores próximos dos 800 Kg de CO2 /mês. Este valor médio de emissões pode traduzir-se como a emissão equivalente do consumo realizado por 12 lâmpadas incandescentes de 60W ligadas 24 horas por dia, durante um mês.

 

A partir dos dados recolhidos foram avaliados os potenciais de poupança energética das EcoFamílias. Foram identificados potenciais de redução através da eliminação de consumos de stand-by e off-power e substituição de lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas. Uma medida benéfica para algumas famílias, e que traz também benefícios ambientais, é a substituição do contador simples pelo Bi-Horário.

 

Os consumos de stand-by e off-power representam uma fatia nada desprezável na factura energética total das famílias. Uma vez que estes consumos não representam um bem acrescido às famílias, esta foi uma das áreas de actuação na redução dos consumos. As categorias do Entretenimento e Informática são as áreas onde estes consumos têm um peso significativo. 

 

As recomendações realizadas, na anulação de consumos de stand-by e off-power e utilização correcta dos equipamentos permitiram uma redução de 150 kWh/mês. Conseguiu-se, desta forma, uma redução de 74,7 kg CO2/mês.

 

Para além das reduções conseguidas com as medidas implementadas, verificou-se um elevado potencial de poupança relativamente à categoria de iluminação, podendo-se atingir uma redução de cerca de 7 kWh/mês, pela substituição de lâmpadas incandescentes por lâmpadas fluorescentes compactas, bem como pela utilização de lâmpadas de halogéneo de menor potência.

 

A forma como as recomendações foram transmitidas revelou-se eficaz na maioria dos casos, por vários motivos. Entre os mais significativos pode referir-se o facto das famílias terem-se inscrito de forma voluntária, estando mais dispostas para a mudança, o acompanhamento directo das famílias e os conselhos adaptados a cada família.

 

Com este estudo conclui-se que se podem atingir reduções significativas de consumo de electricidade com pequenas alterações de comportamento, sem alterar o conforto das famílias. Assim, prevê-se uma redução de cerca de 11,4 kWh/mês em média por família, que representa cerca de 3% do consumo total de electricidade mensal e 5,7 kgCO2/mês.

 

No total, com as recomendações realizadas e o potencial de redução identificado, pode atingir-se uma poupança de 342 kWh/mês, evitando-se a emissão de cerca de 171 kgCO2/mês.

 

Se todas as famílias portuguesas conseguissem esta redução de emissões, contribuiriam com uma redução de 0,4% de emissões para o cumprimento do Protocolo de Quioto tendo por base o ano de referência de 1990.

 

Seguindo os moldes do Programa EcoFamílias 30 (Fase I), o programa EcoFamílias 225 vai agora acompanhar, entre 2007 e 2008, os consumos energéticos de 225 famílias em todo o território nacional continental (dividido pelas 9 zonas climáticas consideradas no RCCTE), actuando directamente nas habitações através da alteração de hábitos, com vista à redução desses consumos.

 

O programa EcoFamílias 225 promovido pela EDP Distribuição, insere-se no âmbito do Plano de Promoção de Eficiência no Consumo financiado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).

 

 

Lisboa, 15 de Junho de 2007

 

 

 

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