Quercus faz balanço do início do ano hidrológico e apela à poupança | Escola Secundária de Paredes

A Escola Secundária de Paredes (1) venceu o concurso de projectos escolares para a promoção da poupança de água, uma parceria entre a Quercus e a Veolia Água Portugal (2).

 

Recorde-se que estas duas entidades criaram no ano de 2005 um programa de apoio para dinamização de projectos escolares na área da gestão racional do recurso água e na procura de soluções de reutilização de água, tendo sido seleccionados e apoiados financeiramente 10 projectos de escolas. O projecto vencedor da Escola Secundária de Paredes, intitulado “Água, a partilha de uma responsabilidade”, desenvolveu diversas iniciativas quer a nível da própria escola, quer a nível da comunidade envolvente (ver descrição resumida abaixo).

 

Ano hidrológico começa mal

 

O ano hidrológico corresponde a um período de 12 meses compreendido entre o início de duas estações de chuva consecutivas, para permitir uma comparação mais significativa dos dados; em Portugal, o ano hidrológico tem início em Outubro de cada ano e termina em Setembro do ano seguinte. O Instituto da Água (INAG) apresenta regularmente os dados relativos à precipitação mensal e acumulada, comparativamente à média calculada a partir dos dados de estações do INAG (actualmente 42 estações), respeitantes aos anos entre 1940 e 1997 (http://snirh.inag.pt).

 

O ano hidrológico (2007/2008) que começou no passado mês de Outubro tem apresentado até agora valores de precipitação mensal inferiores à média. Em Outubro, a precipitação em Portugal Continental foi de 34,6 mm, cerca de 2 terços (63%) inferior à média (92,5 mm); em Novembro, a precipitação atingiu 49,9 mm, 57% inferior à média (118 mm). Em Dezembro, até dia 20, registaram-se apenas 13 mm de precipitação, sendo a média de 129.8 mm.

 

Todas as regiões do país (divididas por Norte, Centro, Sul e Algarve em termos hidrológicos) apresentam até agora valores de precipitação inferiores à média, como se mostra de seguida:

 

Outubro de 2007

Norte – precipitação (27,4 mm) inferior à media (118 mm)

Centro – precipitação (28,9 mm) inferior à media (104,5 mm)

Sul – Precipitação (40,5 mm) inferior à media (67,2 mm)

Algarve – Precipitação (60,2 mm) inferior à media (72,4 mm)

 

Novembro 2007

Norte – precipitação (55,1 mm) inferior à media (145,3 mm)

Centro – precipitação (49,7 mm) inferior à media (133,9 mm)

Sul – Precipitação (47,5 mm) inferior à media (87 mm)

Algarve – Precipitação (47,5 mm) inferior à media (98,7 mm)

 

A região Norte apresenta a maior percentagem de redução de precipitação em relação à média, de 76% em Outubro e de 62% em Novembro, seguida da região Centro, com 72% e 63% de redução, respectivamente. Notícias recentes deram conta da situação de Bragança, que a 15 de Dezembro tinha reservas de água para apenas 2 meses (www.rtp.pt), caso as condições meteorológicas não se alterem.

 

Esta situação não é novidade no nosso país. A média de precipitação em Portugal Continental é de 912,5 mm anuais, mas nos últimos 4 anos hidrológicos os valores têm sido sempre inferiores:

 

2003/2004 – 695,1 mm

2004/2005 – 397,6 mm

2005/2006 - 757,4 mm

2006/2007- 865.4 mm

 

A situação mais gravosa ocorreu no ano de 2004/2005 que acabou por causar uma situação de seca severa a extrema em quase todo o território, com precipitação 56% inferior à média; o início deste ano hidrológico até foi chuvoso, tendo o mês de Outubro registado 159,4 mm de precipitação (72% acima da média), mas nos meses seguintes a situação alterou-se radicalmente.

 

A variabilidade da precipitação mensal e anual, a sua distribuição desigual pelo território e a possibilidade de agravamento destas condições devido às alterações climáticas, exigem medidas urgentes para aumentar a eficiência na utilização dos recursos hídricos e promover a correcta valorização deste recurso indispensável mas com limites de exploração cada vez mais reduzidos.

 

 

Lisboa, 21 de Dezembro de 2007

 

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(1) O projecto “Água, a partilha de uma responsabilidade” da Escola Secundária de Paredes

 

No contexto da escola promoveu-se: a substituição dos bebedouros; a desactivação do sistema automático de rega; a plantação de espécies vegetais menos exigentes em água; uma maior vigilância nos gastos da água (após a identificação de situações específicas, com recurso a um inquérito interno); a montagem de exposições com trabalhos dos alunos, a organização de concursos literários e de desenho (o concurso para o logótipo do projecto teve a participação de alunos de outras escolas), a elaboração de placas com textos e imagens alusivos à poupança de água (as placas já estão prontas mas ainda não foram colocadas nos locais já definidos - casas de banho, cantina e balneários) e o enriquecimento da biblioteca escolar com material didáctico proveniente do Museu da Água. Falta concretizar a pintura de um painel para o polivalente.

A nível da comunidade extra-escolar, o projecto implicou a montagem, com a colaboração de alunos de uma turma do 9º ano, de uma peça de teatro (a qual já foi apresentada em duas escolas primárias da região, faltando a apresentação noutra escola); a construção de jogos didácticos (que foram aplicados aos alunos que assistiram à peça de teatro); a elaboração de dois inquéritos, um sobre a utilização da água a nível doméstico e outro sobre a distribuição da água no concelho de Paredes.

Muitas das iniciativas propostas no projecto foram já concretizadas. A peça teatral, os jogos e os inquéritos à comunidade local foram as actividades que conseguiram maior projecção, isto porque a peça de teatro e os jogos criaram uma grande empatia entre os alunos das primárias e do 9º ano e com as ideias por eles transmitidas; os inquéritos revelaram preocupações e atitudes na comunidade local em relação ao tema da Água.

 

(2) De salientar que a Compagnie Générale des Eaux Portugal, S.A. pertence ao grupo Veolia Água, o principal operador mundial do sector de serviços de água que assegura, num quadro de contratos de médio e longo prazo, a gestão delegada dos serviços de água e de saneamento para entidades públicas ou industriais. 

 

Em Portugal, a Veolia Água gere actualmente quatro sistemas municipais de abastecimento de água.

 

 

 

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