Inauguração da LIPOR II: Quercus contra aumento da capacidade de incineração no país!

A LIPOR vai inaugurar oficialmente, no próximo dia 3 de Março a sua unidade de incineração de RSU (Resíduos Sólidos Urbanos).

 

O Ministério do Ambiente divulgou recentemente o Plano de Acção para os RSU para 2000-2006, onde está prevista uma reserva de capacidade de financiamento (não se sabe quanto), para um eventual aumento de incineração, isto num universo de 57 milhões de contos destinados a infraestruturas, redução das emissões de metano e valorização energética (vulgo incineração). 

 

Esta reserva para a incineração estará prevista para a construção de novos incineradores e/ou para o aumento da capacidade instalada nos actuais (LIPOR e VALORSUL). Torna--se claro que, se a opção for o aumento da capacidade instalada, esta reserva financeira será destinada ao incinerador da LIPOR, uma vez que já foi anunciada a adesão dos municípios da SULDOURO (V. N. Gaia e S. M. da Feira), que se traduz no aumento de cerca de 94 mil toneladas por ano de resíduos!!!

 

A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza não vai tolerar quaisquer aumentos da capacidade de incineração de RSU no país.

 

É um facto que, pela análise dos dados da VALORSUL (que tem 3 linhas de incineração), a incineração inviabiliza outras formas de tratamento de RSU, nomeadamente a reciclagem. Em 1999 a VALORSUL reciclou 3% dos seus resíduos tendo como meta máxima para 2020 apenas 8%!!!

 

Nos dados disponíveis sobre a LIPOR verifica-se uma situação semelhante, uma vez que no mês de Dezembro de 1999 apenas 2% dos resíduos tiveram como destino a reciclagem.

 

No fundo, o que está em causa no possível aumento da capacidade de incineração da LIPOR, é a aplicação de fundos comunitários em infraestruturas que, na prática, impossibilitam o cumprimento de metas definidas pela própria legislação comunitária: reciclagem, em 2005, de um mínimo de 25% (em peso) da totalidade dos materiais de embalagem (para além de, actualmente, estar em discussão na União Europeia um aumento substancial dessas metas).

 

Outro dado importante a considerar: o tratamento de RSU por incineração faz da LIPOR e da VALORSUL os maiores produtores particulares de resíduos perigosos (estima-se em cerca de 30 mil ton./ano)!! Isto devido à produção de elevadas quantidades de cinzas volantes resultantes do tratamento dos gases de combustão.

 

Em resumo, é importante que fique bem presente o seguinte: 

 

1) a Quercus não vai tolerar aumentos da capacidade de incineração instalada no país (por novos incineradores ou ampliação dos existentes);

2) a incineração de RSU compromete seriamente a reciclagem;

3) a incineração representa um acréscimo de poluentes para o meio ambiente. 

 

Lisboa, 2 de Março de 2000

Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

CIR – Centro de Informação de Resíduos

 

 

 

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