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Podas abusivas e/ou abate infundado de árvores em espaço urbano são o problema ambiental em destaque no distrito da Guarda | 28 de fevereiro de 2018

No início de ano 2018, a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, lançou uma ação nacional denominada “12 meses/12 iniciativas” com o objetivo de chamar atenção para 12 problemas ambientais que ocorrem em território nacional e para os quais urge encontrar soluções. Depois do olival intensivo em Janeiro, o problema ambiental em destaque este mês situa-se no distrito da Guarda, e é o caso das podas abusivas e/ou abate infundado de árvores em espaço urbano em concreto. 

 

Apesar das melhorias que Portugal tem registado a nível ambiental, sobretudo nos últimos 20 anos, em áreas tão diversas como os resíduos, a água ou o tratamento de efluentes domésticos, existem ainda diversos problemas ambientais que teimam em persistir em várias regiões do país – descargas ilegais de efluentes industriais nos nossos rios, excesso de monoculturas agrícolas intensivas, povoações sem tratamento de esgotos e uma área florestal de eucalipto em expansão, são apenas alguns exemplos que têm provocado impactes gravíssimos no país, tais como a poluição no rio Tejo, a degradação do solo, as vagas de incêndios florestais e o despovoamento do território. 

 

A Quercus através do seu Núcleo Regional da Guarda dedicou o mês de fevereiro ao tema das podas abusivas. Em média, cerca de 20% a 30% das denúncias recebidas anualmente por este Núcleo, desde 2014, dizem respeito a podas abusivas e/ou abate infundado de árvores em espaço urbano. Os últimos anos coincidem simultaneamente com um período de maior consciencialização por parte de cidadãos anónimos e/ou grupos/movimentos informais no sentido de exigir maior preservação dos espaços naturais nas cidades.

 

Vários autores referem “(…) a mutilação generalizada e indiscriminada da copa das árvores de alinhamento e de parques e jardins urbanos não tem qualquer justificação técnica, económica ou estética (…) os cortes repetidos e a quebra natural dos novos lançamentos expõem as árvores à infeção por agentes patogénicos (…) em consequência das podas [radicais/abusivas] é, pois, de esperar uma situação futura que implica a continuação de intervenções onerosas nos anos seguintes, quer para retirar os ramos mortos (…) quer para desafogar o emaranhado de ramos verticais longos e finos que passam a dominar no novo copado e que, com frequência, em pouquíssimos anos se tornam tanto ou mais prejudiciais do que a copa existente antes da intervenção (…)”. [1] 

 

E ainda “(…) a poda de árvores é uma agressão a um organismo vivo, que possui estrutura e funções bem definidas e alguns mecanismos e processos de defesa contra seus inimigos naturais (…) A poda é sempre uma operação desvitalizante, elimina uma grande parte da copa das árvores chegando nos casos mais drásticos à eliminação total. Como consequência, a superfície fotossinteticamente ativa é parcial ou totalmente eliminada, pelo que a árvore fica bastante debilitada (…) Uma árvore debilitada fica mais vulnerável ao ataque de pragas e doenças, sendo que alguns insetos e fungos acabam por se aproveitar destas fragilidades e instalam-se, acelerando nalguns casos a morte das árvores. Uma árvore decapitada fica completamente desfigurada e debilitada, e jamais recuperará por completo a sua forma natural. A decapitação é uma prática incoerente com a fisiologia das árvores, cientificamente errada e socialmente inaceitável (…) Decapitando árvores frondosas, estas estarão à partida condenadas a não cumprir a sua função ambiental de purificar o ambiente, proporcionar sombra e frescura, servir de habitat para pequenas aves que ali nidificavam. A poda não é uma operação cultural normal em árvores ornamentais ou florestais, mas sim em árvores de fruto. A poda em árvores ornamentais é necessária apenas em casos de emergência (…)” [2]

 

Se as podas radicais/abusivas são lesivas para as árvores por que razão todos os anos estas se repetem e em várias localidades? Será a falta de técnicos especializados por parte das autarquias e Juntas de Freguesia? 

 

A Quercus questiona se as mais-valias dos espaços verdes nas cidades com a redução de poluição atmosférica; a redução de níveis de stress e de ansiedade; a redução do ruído provocado pelo tráfego rodoviário; a contribuição para um ambiente mais fresco, entre muitos outros aspetos não deveriam justificar um maior investimento em formação dos técnicos envolvidos nestes casos de más práticas?

Notas:
[1] Silva, H. e Fabião, A.; (1994) “As podas camarárias: considerações sobre a futilidade de um acto de mutilação”;https://www.repository.utl.pt/bitstream/10400.5/1387/1/REP-Fabiao,%20A.-Silva_%26_Fabiao_1994.pdf

 

[2] Pinho, R. (2016); “Podas radicais nunca mais”; Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro; https://uaonline.ua.pt/pub/detail.asp?c=45208

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