O estudo “Eco-Skies – The Global Rush for Aviation Biofuel”, elaborado pelo grupo de reflexão independente The Oakland Institute e publicado em 2013, adverte contra a ambiciosa estratégia da aviação para reduzir as suas emissões de carbono até 2050. Para cumprir a meta de redução de emissões na aviação civil e comercial, o estudo evidencia que as companhias aéreas vão investir numa expansão sem precedentes na produção de biocombustíveis até 2050, sobretudo em países em desenvolvimento, e este facto vai implicar uma maior aquisição de terras para a sua plantação, o que pode colocar em causa a subsistência das populações nesses países.
Este estudo salienta que os potenciais impactes ambientais e sociais desta procura crescente por biocombustíveis para abastecer a aviação não têm sido devidamente considerados e avaliados para garantir o cumprimento das metas de redução de emissões de gases com efeito de estufa até 2050, e levanta sérias questões sobre novas crises ambientais e humanas que esta procura pode conduzir a médio e longo prazo.
São precisas grandes quantidades de terra para produzir biocombustível necessário para abastecer toda a aviação civil e comercial, e atualmente são escassos e caros para uso comercial. O estudo reconhece que as companhias aéreas estão limitadas por constrangimentos económicos e os impactes ambientais associados com os combustíveis fósseis e as emissões de gases de efeito de estufa. Para atender às necessidades atuais da aviação, seriam necessários 270 milhões de hectares de plantações de jatropha – uma planta tóxica para a alimentação mas utilizada para produzir biocombustíveis -, uma área aproximadamente equivalente a um terço da Austrália. Este número não tem em conta o aumento do tráfego aéreo que se espera para as próximas décadas.
Este estudo também analisa o potencial da conversão dos óleos alimentares usados como fonte de combustível para a aviação. A lacuna entre a oferta disponível deste recurso e a procura crescente por biocombustíveis evidencia que a conversão de óleos alimentares usados para produzir biocombustível não será suficiente para abastecer a frota de uma companhia aérea.
O estudo pode ser encontrado aqui.