Lisboa, 3 de Junho de 2005 – Um dos maiores compradores portugueses de madeira exótica, o Grupo Vicaima, visado recentemente pelas associações ambientalistas por envolvimento no comércio de madeira proveniente de abate ilegal e destrutivo, anunciou hoje uma nova política de compras de madeira que tem em conta preocupações sociais e ambientais.
Em Março deste ano, o Greenpeace e a Quercus visaram a Vicaima porque o Grupo a que esta pertence adquiria madeira de empresas com reconhecido envolvimento no abate ilegal e destrutivo de florestas tropicais [1]. Agora, o Grupo Vicaima adoptou uma nova política de compras, que obriga a empresa a assegurar que toda a madeira que adquire é proveniente de operações de abate ecológica e socialmente responsáveis e que procuram obter a certificação do Forest Stewardship Council (FSC). Para implementar esta nova política, a Vicaima associou-se ao Tropical Forest Trust.
Em reacção a este anúncio, Luís Galrão, Vice-presidente da Quercus, disse É uma boa notícia para as florestas tropicais do mundo. Estamos muito satisfeitos por verificar que a Vicaima está finalmente a agir contra o uso de madeiras provenientes do abate ilegal e destrutivo e apelamos às outras empresas portugueses que lhe sigam o exemplo.
Andy Tait, do Greenpeace, disse, A Vicaima acordou para as suas responsabilidades sociais e ambientais, mas há ainda muito trabalho a fazer em Portugal. O Governo português deve demonstrar todo o seu apoio às acções europeias de combate ao comércio de madeiras ilegais, mas também deve actuar a nível doméstico, assegurando, por exemplo, que qualquer madeira adquirida pelo Estado é proveniente de florestas bem geridas, certificadas pelo FSC.
Lisboa, 3 de Junho de 2005
Greenpeace e Quercus
Para mais informações, contactar: Gina Sanchez, Greenpeace International Communications: +31627000064 Luis Galrao: 00 351 937788471
[1] O Greenpeace e a Quercus realizaram uma acção de protesto junto à sede do Grupo Vicaima, em Vale de Cambra, a 29 de Março de 2005. A Vicaima era, segundo informações recolhidas pelas associações, uma das empresas importadoras da madeira amazónica fornecida pela DLH, a bordo do navio Skyman, que atracou em Leixões durante o mês de Março. Entre os fornecedores da madeira comercializada pela DLH neste carregamento, encontravam-se as empresas Rancho da Cabocla, cujo proprietário foi preso no final de 2004 por roubo de terras, e Milton Schnorr, multada por abate ilegal em 2001, 2002 e 2004. Em Março, as associações divulgaram ainda fotografias de madeiras provenientes das empresas Rougier e Fipcam, obtidas no parque de madeiras da Vicaima. Estas empresas foram multadas nos Camarões, em 2004, por operações de abate ilegal. (Minef Communiqué/ press release no. 147, 19 Abril 2004)
Ler o artigo Portugal – Porta de entrada para madeira ilegal, publicado no Jornal QUERCUS Ambiente de Março/abril de 2005.