Greenpeace e Quercus bloqueiam carregamento de madeira da Amazónia e desafiam o Governo português a parar o comércio de madeira ilegal

Leixões, 22 de Marco: Activistas do Greenpeace e da Quercus bloquearam hoje às 17h15 a entrada do navio Skyman no Porto de Leixões, numa tentativa de impedir a descarga de um carregamento de madeira proveniente de empresas envolvidas em abate ilegal e destrutivo na Amazónia e de denúncia do papel de Portugal como porta de entrada na Europa de madeira tropical ilegal. Escaladores desceram em rappel da ponte móvel de Leixões, bloqueando a entrada do navio no cais de descarga.

 

O Greenpeace e a Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, agiram de forma a desafiar o novo Governo português a apoiar publicamente e em pleno o Plano de Acção Europeu de combate ao comércio de madeira ilegal, bem como a apoiar novas medidas legislativas que proíbam a importação de madeira de origem ilegal.

 

O Skyman transporta mais de 253 760 dólares de madeira da Amazónia brasileira, incluindo madeira de, pelo menos, quatro empresas já condenadas no Brasil pelo comércio de madeira ilegal. Uma delas, Milton Schnorr, foi multada por abate ilegal em 2001, 2002 e 2004, enquanto Moair Ciesco, proprietário da empresa Rancho da Cabocla, foi detido em Dezembro devido ao envolvimento da sua empresa no abate ilegal em propriedade pública.

 

Marcelo Marquesini, Coordenador da Campanha Amazónia do Greenpeace, disse em Leixões, que O comércio de madeira da Amazónia proveniente do abate ilegal e destrutivo está relacionado com a corrupção, o roubo de terras públicas, a violência contra as comunidades locais e em alguns casos, com homicídios. Ao não tomar medidas para controlar este problema, Portugal pode ser considerado cúmplice destes crimes.

 

A Amazónia Brasileira possui uma das mais elevadas taxas de destruição de floresta do mundo. Em 2003 a desflorestação da Amazónia afectou 24 000 Km2 - quase um terço da área de Portugal Continental. O Estado do Pará, o maior exportador de madeira amazónica para Portugal, é responsável por mais de 1/3 do total da área desflorestada na Amazónia brasileira. Esta desflorestação tem sido causada por quatro décadas de abate ilegal e destrutivo e de limpeza de áreas florestadas para criação de gado e agricultura.

 

Portugal é o 5º maior importador mundial de madeira da Amazónia brasileira e um importador significativo de madeira de outras florestas ancestrais. Enquanto os maiores importadores europeus de madeira, como a Alemanha, o Reino Unido, a França e a Bélgica tem apoiado a rápida implementação de medidas para fazer face à importação de madeira ilegal - o Plano de Acção relativo à Aplicação da Legislação, à Governação e ao Comércio no Sector Florestal (FLEGT) -, Portugal não tem demonstrado esse empenho [1].

 

Hélder Spínola, Presidente da Quercus, disse que é tempo de Portugal assumir a sua responsabilidade e não fechar os olhos às actividades ilegais que ocorrem nos países produtores. Desafiamos publicamente o novo Governo a demonstrar as suas preocupações ambientais apoiando as medidas europeias de combate ao comércio de madeira ilegal e apoiando nova legislação europeia que proíba a importação de madeira ilegal.

 

No final de 2004, o Greenpeace e a Quercus solicitaram a alguns importadores portugueses de madeira o apoio ao processo FLEGT e à adopção de nova legislação comunitária proibindo a importação de madeira ilegal. Duas empresas - Sardinha&Leite e Sonae Indústria - responderam positivamente.

 

As duas organizações pedem agora a todos os importadores portugueses que rejeitem a madeira transportada pelo Skyman, oriunda de empresas com um cadastro relacionado com o abate ilegal de madeira e que procurem negociar apenas com fornecedores de madeira certificada pelo Forest Stewarship Council (FSC). A madeira FSC oferece uma garantia independente de que esta é proveniente de uma floresta gerida sob exigentes normas sociais e ambientais.

 

Matosinhos, 22 de Março de 2005

Greenpeace e Quercus-A.N.C.N.

 

 

 

 

 

[1] Em Dezembro de 2004 o primeiro pacote de medidas no âmbito do FLEGT foi discutido pela primeira vez ao nível ministerial, durante um encontro do Conselho europeu da Agricultura. Sete Estados-Membros, incluindo Espanha, França, Reino Unido e Bélgica, fizeram uma declaração conjunta encorajando a Comissão a apresentar outras propostas legislativas tendo em vista controlar as importações de madeira explorada ilegalmente. Portugal absteve-se de apoiar esta declaração.

 

 

 

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