Quercus saúda o adeus a uma das grandes fontes de contaminação: O CHUMBO NA GASOLINA

[01/07/1999] A Quercus saúda o Governo por oficialmente a partir de hoje não vir a ser mais distribuída gasolina com chumbo que foi substituída por gasolina sem chumbo aditivada, antecipando-se assim em seis meses ao previsto no programa AutoOil. A Quercus recomenda que continue a ser feito um esforço, até aqui por nós considerado insuficiente, de informação dos consumidores sobre o facto de muitos dos veículos poderem utilizar gasolina sem chumbo e terem estado a consumir gasolina super (agora sem chumbo aditivada).

 

Lembramos também que esta medida do programa AutoOil da Comunidade Europeia que será cumprida por Portugal a tempo, não significa que o nosso comportamento seja exemplar nesta matéria. Portugal pretende pedir uma derrogação em relação à qualidade dos combustíveis até 31 de Agosto deste ano, com base em razões sócio-económicas por não vir a conseguir atingir o novo padrão que a Comissão Europeia exige, que supostamente deveria entrar em vigor em 1 de Janeiro de 2000, não tendo a Petrogal sido até agora preparada para o facto. 

 

Também o sector dos transportes, em particular o rodoviário, é dos principais responsáveis pela emissão de gases de efeito de estufa e não existe de momento nenhuma estratégia nacional para minimizar este facto. A Quercus gostaria também que a partir de hoje existisse um programa de monitorização e acompanhamento dos níveis de chumbo na população de forma a se verificar a eficácia da retirada da gasolina com chumbo ao longo do tempo.

 

Questões de saúde relacionadas com o chumbo

 

Aproximadamente 80% do chumbo presente na atmosfera provém da gasolina. Por cada 1000 Toneladas de gasolina utilizada, emitiam-se 500 kg de chumbo para o ar ambiente. A maior parte do chumbo tem sido assim emitida pelos veículos (90%) na forma de pequenas partículas inorgânicas (com dimensões inferiores a 0,1 micro). Também se emitem alguns vapores que contêm chumbo durante a fabricação e o transporte da gasolina. O chumbo chega-nos sobretudo por ingestão, embora por esta via não se incorpore facilmente. Já quando é inalado distribui-se facilmente por todo o organismo. 

 

É difícil de eliminar e acumula-se principalmente no tecido ósseo (aproximadamente 95%), chegando a suplantar o cálcio. Nos ossos, o chumbo tem um tempo médio de permanência muito grande (várias décadas). Na infância o esqueleto aumenta quarenta vezes a sua massa original e é nessa altura que se pode acumular mais chumbo. Nos tecidos moles, como o rim, o tempo médio de permanência é mais curto (por volta de um a dois meses). Uma vez acumulado, mantém-se presente no sangue durante um grande período até à sua completa eliminação. O chumbo, como outros metais pesados, produz envenenamento enzimático. Interfere nas reacções químicas essenciais para os organismos vivos. A intoxicação, exemplificada pelo saturnismo dos mineiros ou ocorrendo acidentalmente aquando da ingestão por outros animais de perdizes chumbadas, produz encefalopatia, caracterizada por mal estar geral, tonturas, dor de cabeça, convulsões, mudanças súbitas de personalidade, debilidade e sensação de formigueiro nas mãos e nos pés.

 

A exposição ao chumbo leva à diminuição do tecido adiposo, à disfuncionalidade do sistema digestivo, à redução e atrofia do músculo peitoral, do fígado e rins, a anemia e à deficiência imunológica facilitando as infecções bacterianas e o desenvolvimento de parasitas. O chumbo no sangue inibe indirectamente a síntese de hemoglobina e altera o transporte sanguíneo do oxigénio. O chumbo está presente no pó urbano. As crianças estão especialmente expostas, devido ao contacto contínuo com o solo durante as suas brincadeiras. Em crianças ou trabalhadores expostos continuamente ocorre a diminuição da velocidade da condução nervosa e altera-se o funcionamento renal. Nas crianças interfere no metabolismo da vitamina D, o que limita seriamente a capacidade de aprendizagem e o coeficiente intelectual.

 

Qualquer esclarecimento adicional pode ser prestado através de Francisco Ferreira, Presidente da Direcção Nacional, telemóvel 0936-9078564 ou Pedro Torres, telemóvel 0936-2593521.

 

01/07/1999

A Direcção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

 

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