Quase 1700 animais selvagens ingressaram nos três Centros de Recuperação da Quercus em 2025
Dia Mundial da Vida Selvagem assinala-se a 3 de março
- Aves representaram 83,8%, mamíferos 14,4%, répteis e anfíbios 1,7%
- Animais recebidos aumentaram 7% face a 2024
- Queda do ninho / órfão e traumatismos entre as principais causas de ingresso
- 42,2% dos animais recuperaram e regressaram ao habitat natural
- Centros acolheram 127 indivíduos classificados como ameaçados
Por ocasião do Dia Mundial da Vida Selvagem, que se assinala a 3 de março, a Quercus faz um balanço do trabalho feito pelos seus três Centros de Recuperação de Animais Selvagens (CRAS) em 2025: o CERAS (Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens), em Castelo Branco; o CRASM (Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Montejunto), no Cadaval; e o CRASSA (Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Santo André), no Litoral Alentejano.
Número de animais acolhidos tem vindo a aumentar de ano para ano
Em 2025, os CRAS da Quercus acolheram um total de 1673 animais selvagens, representando um aumento de 7% face a 2024. Deste total, cerca de 1577 indivíduos ingressaram com vida e 42,2% dos animais foram devolvidos ao seu habitat natural. O mês de julho concentrou o maior número de admissões, uma tendência já observada em anos anteriores. Só neste mês deram entrada cerca de 440 animais (26% do total anual), com destaque para um elevado número de crias órfãs.
Avifauna representa 83% dos ingressos
Como habitual, as Aves foram o grupo taxonómico com maior número de ingressos, representando 83,8% do total de admissões, seguidas dos Mamíferos (14,4%) e, em menor proporção, dos Répteis e Anfíbios (1,7%). Entre as espécies acolhidas ao longo do ano, destacaram-se, pelo maior número de admissões, a Gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis) (8,3%), a Andorinha-dos-beirais (Delichon urbicum) (7%), o Andorinhão-pálido (Apus pallidus) (6,2%) e o Ouriço-europeu (Erinaceus europaeus) (6,1%).
Centros acolheram 127 animais de espécies com estatuto ameaçado
Em 2025, as causas mais frequentes foram a queda do ninho ou orfandade (35,1%) e os traumatismos de origem desconhecida (19,3%). Registaram-se ainda casos resultantes de perseguição humana direta, como tiro (1,1%), cativeiro ilegal (1,7%) e envenenamento (0,09%). Importa sublinhar que alguns destes casos ilícitos afetaram espécies consideradas ameaçadas, segundo a Lista Vermelha das Aves de Portugal Continental de 2022.
Ao longo do ano, os CRAS acolheram 127 indivíduos classificados como ameaçados, incluindo 111 de estatuto “Vulnerável” (VU), 10 “Em Perigo” (EN) e 6 “Criticamente em Perigo” (CR). Entre estas espécies destacam-se o Milhafre-real (Milvus milvus), o Abutre-preto (Aegypius monachus), a Águia-real (Aquila chrysaetos) e o Cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis).
Equipas integraram 137 estagiários e voluntários em 2025
Estas três estruturas da Quercus – CERAS, CRASM e CRASSA – integram a Rede Nacional de Centros de Recuperação para a Fauna (RNCRF), composta por 13 CRAS em Portugal Continental e coordenada pelo ICNF.
A sua intervenção na reabilitação de espécies selvagens feridas ou órfãs é fruto da dedicação de uma equipa multidisciplinar e ao empenho de voluntários e estagiários (137 em 2025), que reforçam as equipas dos diferentes CRAS em áreas como a Biologia, a Medicina e Enfermagem Veterinária, a Zootecnia e os Cuidados Veterinários.
O reforço da capacidade de resposta dos CRAS perante o contínuo aumento do número de animais ingressados só é possível graças a apoios públicos como o Fundo Ambiental, bem como de diversas instituições, incluindo o Grupo Sonae, a Galp, as Águas de Santo André, a Agriloja, permitindo melhorar infra-estruturas ou adquirir bens materiais e alimentos.
CRAS: muito mais que hospitais de fauna
Mais do que simples estruturas de reabilitação, o trabalho desenvolvido nos CRAS permite identificar padrões recorrentes nas causas de ingresso; principais fatores de ameaça e as áreas onde estes se manifestam com maior incidência, possibilitando a implementação de medidas corretivas eficazes.
Por outro lado, sendo locais ricos em informação biológica, permitem avaliar o estado dos ecossistemas e das populações. Desse modo, contribuem para a investigação aplicada à conservação da Natureza, como na prevenção da mortalidade de fauna selvagem ou no aperfeiçoamento das práticas clínicas.
Não menos importante, estas estruturas promovem ativamente a educação e sensibilização ambiental junto de públicos diversos, através do apadrinhamento de animais recuperados e de outras ações educativas dirigidas à comunidade.
Em resumo, os Centros de Recuperação de Animais Selvagens assumem um papel essencial na ligação entre a sociedade e a Natureza, recordando a responsabilidade coletiva que partilhamos na proteção da vida selvagem e na preservação dos ecossistemas nos quais coexistimos com estas espécies.