31 de outubro de 2025
40º Aniversário da Quercus: Um marco de dedicação ininterrupta na proteção e conservação do ambiente em Portugal
No dia 31 de outubro de 2025, a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, comemora o seu 40º aniversário, celebrado com um jantar comemorativo, em Lisboa, com vários momentos marcantes: apresentação de Emissão Filatélica dos selos CTT alusiva aos 40 Anos da Quercus, apresentação do livro comemorativo e a entrega dos Prémios Quercus 2025.
Numa noite de celebração e inspiração com a presença de personalidades, representantes de parceiros da Quercus, e animação com a participação do ator Alexandre Silva.
Emissão Filatélica dos selos CTT alusiva aos 40 Anos da Quercus
Fruto da longa parceria entre a Quercus e os CTT, através da iniciativa, ‘Uma Árvore pela Floresta’, que este ano assinala a 13ª edição, surge esta emissão filatélica. A cerimónia de apresentação, que decorrerá durante o jantar comemorativo, conta com a a participação especial do Presidente do Conselho de Administração dos CTT, Professor João Bento.
Livro comemorativo ‘Sementes do Futuro’
Para assinalar o 40º aniversário será apresentado o livro que resultou de uma colaboração alargada de protagonistas atuais da Quercus. Muito mais que um registo de memória, é um chamamento à consciência e um convite à reflexão e à ação. Um convite aberto a todos aqueles que acreditam que o mundo pode ser diferente — mais justo, mais verde, mais solidário. Esta edição tem o prefácio da Ministra do Ambiente e da Energia, Mª da Graça Carvalho, e a paginação, impressão e distribuição pela editora Penguin.
Prémios Quercus 2025
Este ano, a Quercus homenageia Alfredo Sendim Cunhal, na categoria Individual, uma referência e o seu trabalho destaca-se pela sua visão, pensamento crítico e pioneirismo em agroecologia, e ‘Os Amigos do Arunca’, na categoria Coletiva, pelo seu trabalho de intervenção cívica que permitiu acelerar importantes concretizações na proteção e valorização ambiental com impactos significativos a nível social.
Alfredo Cunhal Sendim
Engenheiro zootécnico de formação, é essencialmente agricultor. A herdade do Freixo do Meio, da qual é guardião, há mais de três décadas, é um laboratório vivo de experiências de cooperação com a natureza, tornando-se numa incontornável referência. O grande desafio foi passar de um modelo simplificado de produção assente em três culturas no ano 1990: a cortiça, as ovelhas e o trigo (em grande declínio), para a diversificação e valorização do montado, nomeadamente no aproveitamento da bolota na alimentação humana.
No processo de aprendizagem e de tomada de consciência sobre a nossa responsabilidade na utilização da terra e como podemos usufruir de tudo o que necessitamos na justa medida em que respeitamos o seu funcionamento e os ecossistemas, começou também a ser desenvolvida em 2017, a estratégia de ‘novo montado’, pela aplicação do sistema agroflorestal inspirado por Ernst Gotsch.
Ao desenvolvimento da componente produtiva e restauro de ecossistemas, alia também a dimensão social, no sentido de melhorar as oportunidades de rendimento de uma comunidade de produtores e aproximar aos consumidores produtos de qualidade a preço justo.
Implementou e coordenou o programa ‘Partilhar as Colheitas’ integrado no conceito de agricultura suportada pela comunidade (CSA – Community Supported Agriculture) com o propósito de co-responsabilização dos consumidores.
Em 2022, toda a área da herdade foi integrada na Rede Nacional de Áreas Protegidas, como área protegida de âmbito privado, como reconhecimento dos valores naturais presentes.
A sua vida é conduzida pelo sonho de uma relação harmoniosa da espécie humana na Natureza e de um mundo baseado em comunidades pacíficas, cooperativas e auto resiliência.
Alfredo Sendim foi já distinguido com 3 prémios: o prémio ‘Agricultor que Marca’, em 2018, dos Prémios Vida Rural; prémio Ação, em 2022, dos Prémios Verdes VISÃO + Grupo Águas de Portugal; e Prémio Portugal inspirador, do Santander, em 2023. Foi ainda atribuído à Herdade do Freixo do Meio o prémio Especial Maria José Macedo Produtor/Fornecedor 2023, do Mesa Marcada.
Os Amigos do Arunca
São um grupo informal de cidadãos, com o objetivo da proteção do rio Arunca, como o restauro da galeria ripícola, a reintrodução de espécies nativas e a criação de espaços de lazer. Tudo começou no verão de 2020, quando foram encontradas duas lontras mortas no rio Arunca e surgiu a motivação entre um grupo de amigos de exercer a sua cidadania de forma participativa e “olhar o Rio Arunca para não o deixar morrer”.
Na sua ação destaca-se a identificação de valores naturais e áreas de conservação prioritárias na sub-bacia hidrográfica do rio Arunca, na margem esquerda do Mondego; ações de limpeza das margens do rio; conferências e debates; acompanhamento de dezenas de denúncias; criação de um acervo fotográfico de milhares de fotografias. Os Amigos do Arunca chegaram a centenas de alunos do concelho e a dezenas de investigadores que têm mantido contacto e interesse regular em Pombal.
Em comunidade, com o executivo municipal, juntas de freguesias, entidades e institutos públicos conseguiram dinamizar várias iniciativas e projetos em prol do ambiente e também com impacto em termos sociais, e facilitado várias concretizações importantes para a região, como a elaboração do Plano Estratégico de Reabilitação de Linhas de Água no Município de Pombal; a reabilitação do Lago do Jardim do Vale; e a criação da primeira área classificada do concelho, situada no Vale do Degolaço com destaque para o Bioparque da Charneca, no qual participaram ativamente com mais de 1800 observações e mais de 600 espécies identificadas.
Alexandra Azevedo, Presidente da Direção Nacional da Quercus, destaca: “Estes premiados são exemplos de dedicação, pioneirismo e de envolvimento cívico para a mudança da consciência coletiva e a concretização de soluções para melhorar a gestão e valorização do território.”
A Direção Nacional da Quercus – ANCN