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Dia Internacional Sem Sacos de Plástico: Quercus dá 5 sugestões para um futuro livre de plásticos descartáveis

Um apelo à sustentabilidade

No âmbito do Dia Internacional sem Sacos de Plástico que se celebra hoje, dia 3 de Julho, a Quercus apela a um futuro livre de plásticos descartáveis e salienta a importância de uma economia circular que valorize os nossos recursos, em contraste com a linearidade habitual de “produzir, usar e descartar”.

A Quercus sugere ainda algumas práticas a tomar neste dia (e nesta vida), que sejam, o tanto quanto possível, sustentáveis.

1.     História dos sacos de plástico

Em 1959, Sten Gustaf Thulin (1914-2006), um engenheiro sueco, ofereceu ao mundo uma invenção que viria a mudar o dia-a-dia da população – o saco de plástico. Desenvolveu um processo simples para a produção de sacos duráveis e leves, mais fortes e reutilizáveis do que os de papel.

“Para o meu pai, a ideia de que as pessoas simplesmente deitariam fora os sacos de plástico era bizarra.”

– Raoul Thulin, filho de Sten Gustaf Thulin, numa entrevista à BBC.

Os sacos de plástico começaram a aparecer em Portugal na década de 80. Sendo práticos e de baixo custo, rapidamente proliferaram por lojas e mercearias e qualquer cidadão passou a usufruir desta comodidade, até então, moderna. No entanto, o resto do mundo não deu o mesmo valor aos sacos de plástico que o inventor tinha antevisto – passou de durável a descartável.

2.     Legislação

Apenas em 2015 entrou em vigor uma taxa obrigatória de 0,08€ + IVA para sacos de plástico leves (SPL). Mais recentemente, estava prevista, para janeiro de 2024, a fixação de uma taxa de 0,04€ + IVA sobre os sacos plásticos ultraleves. No entanto, essa medida foi adiada por motivos “processuais e operacionais”.

Em 2023 esteve ainda em cima da mesa a proibição destes mesmos sacos, mas que foi revogada devido à ”ausência de alternativa no mercado para dar resposta aos requisitos, a inexistência de obrigações de Portugal perante a União Europeia e a necessidade de garantir harmonização de imposições legião e a livre concorrência no espaço comunitário”, expressa pela Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED).

Um dos pilares do mercado interno da União Europeia é o direito à livre circulação de mercadorias. Frequentemente, este princípio é utilizado pelas indústrias, de embalagens e outros, para contestar medidas de proteção do ambiente e da saúde pública quando, de alguma forma, ameaçam os seus interesses económicos.

3.     Impactes ambientais

O plástico pode demorar centenas de anos até se decompor completamente. Estima-se que pode chegar aos 5 biliões o número de sacos de plástico consumidos todos os anos à escala global – mais de 600 por cada ser humano. No entanto, em média, cada um é utilizado por menos de 25 minutos.

O resto do seu tempo de vida é, na maior parte das vezes, passado nos oceanos – o ecossistema mais afetado pelo plástico. Lá, podem ser ingeridos por mamíferos marinhos ou aves oceânicas, ou acumular-se numa das 5 “ilhas” de plástico espalhadas pelo globo (sendo que a maior – a Grande Ilha de Lixo do Pacífico – tem 17 vezes o tamanho de Portugal).

Adicionalmente, a produção de plásticos é dependente do petróleo, um recurso finito, explorado por uma indústria inerentemente poluente que, devido ao seu poder económico, permanece intocável. Embora existam bioplásticos produzidos a partir de fontes renováveis, estes não são necessariamente biodegradáveis e podem causar impactes ambientais semelhantes ao dos plásticos convencionais.

A reciclagem do plástico também enfrenta desafios significativos. De acordo com a Eurostat (2018), apenas 32% dos resíduos plásticos na Europa foram enviados para a reciclagem, dos quais 50% foram exportados, enquanto 45% foram incinerados e 25% depositados em aterros sanitários. Invariavelmente, todos estes destinos têm impactos ambientais gritantes, tanto pelo consumo elevado de energia, como pela libertação de gases com efeito estufa e de outros de poluentes.

Além disso, as propriedades dos polímeros, durante os processos de utilização e reciclagem, são degradadas, sendo a qualidade dos plásticos reciclados inferior ao material virgem, não podendo ser transformados novamente no mesmo produto, num processo conhecido como downcycling.

É necessário sensibilizar a comunidade a compreender a realidade destes conceitos, a fim de evitar cair no greenwashing promovido por empresas, que cada vez mais utilizam a “sustentabilidade” como uma ferramenta de marketing.

Fotografia por: Macduff Everton.

Imagem 1: Plástico e resíduos de petróleo no mar. Fotografia por: Macduff Everton.

4.     Uma economia circular

É inegável que necessitamos de uma economia que veja o mundo como ele é: um ecossistema, uma rede de simbioses, com recursos finitos, onde nada se cria nem se perde, mas tudo se transforma. Um sistema complexo do qual nós fazemos parte, mas que também pertence às gerações futuras.

A grande mudança está nas mãos dos governos e das empresas que lideram o mundo. São estes que têm o poder de alterar as políticas de consumo de recursos e energia. Como cidadãos, temos o direito e o dever de lutar por aquilo que acreditamos, de pressionar por políticas e práticas sustentáveis, que protejam os nossos ecossistemas. A participação ativa e consciente de todos é essencial para garantir um presente e um futuro digno para todos.

“Se não pode ser reduzido, reutilizado, reparado, reconstruído, recondicionado, refinado, revendido, reciclado ou compostado, então deve ser restrito, redesenhado ou removido da produção.”

– Pete Seeger (1919-2014), músico e ativista.

5.     Desafios para um dia sem sacos de plástico

Por fim, a Quercus sugere alguns desafios para praticar neste dia, ou nesta semana, ou, quem sabe, o resto do ano:

  1. Não consuma plástico: evite comprar qualquer tipo de plástico hoje; recuse ou reutilize embalagens e opte por produtos a granel.
  2. Não deite fora: antes de colocar algo no lixo, quer no indiferenciado, quer no ecoponto; repense. Como posso reutilizar este produto? Pode ser reparado? Será que há alguém que aproveite este recurso? Pode ser compostado?
  3. Não compre: evite compras impulsivas; repense se realmente precisa de tal produto e, se sim, opte por comprar em segunda mão ou a pequenos produtores.

Fontes:

ASEZ. International Plastic Bag Free Day. (n.d.)

Visual Feature | Beat Plastic Pollution. (2022, March 1).

Adkins, F. (2024, May 23). Visualising the Great Pacific Garbage patch.

National Geographic. The Great Pacific garbage patch isn’t what you think it is. (n.d.)

Resíduos de plástico e reciclagem na UE: factos e números | Temas | Parlamento Europeu. (n.d.). Temas | Parlamento Europeu.