• Químicos

    Nesta seção poderá consultar documentação, conselhos e contactos relacionados com as substâncias químicas que estão presentes no nosso dia-a-dia.

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Grupos mais vulneráveis

Somos todos diferentes. Esta é uma verdade universal que se aplica também na área dos químicos. Se até agora o paradigma dominante assentava na ideia de que "a dose faz o veneno", são cada vez mais as provas que indicam que este terá que ser conjugado com um novo paradigma: "o momento faz o veneno".

A avaliação feita sobre a segurança das substâncias químicas para a saúde humana e o ambiente tende a ter por referência apenas o indivíduo adulto. Desta forma, são ignoradas as diferenças que o momento do desenvolvimento ou as características individuais de cada um podem introduzir na forma como o nosso corpo lida com as exposições a que é sujeito em diferentes momentos.

Uma das grandes questões em torno das substâncias químicas prende-se com os seus efeitos em faixas mais vulneráveis da população, nomeadamente:
- Crianças (desde o momento da concepção até à adolescência)
- Mulheres em idade de reprodução
- Idosos


O caso particular das crianças


A nível internacional, o impacte dos químicos sintéticos nas crianças e jovens é um dos temas que reúne maior preocupação. As pesquisas para tentar perceber um pouco melhor de que forma os diversos estádios de desenvolvimento podem ser influenciados por determinadas substâncias químicas (por si ou em interacção com outras) têm aumentado e a conclusão parece ser clara:

"O quadro global de efeitos resultantes da exposição aos químicos durante a infância não pode ser previsto tendo por base os dados relativos a adultos". (WHO, 2006: 2) (1)

Neste contexto, grande parte da regulamentação em vigor pode estar desadequada e poderá não proteger eficazmente aqueles que mais necessitam de protecção.


Desde o momento da concepção até à adolescência, o crescimento rápido e os processos de desenvolvimento podem ser perturbados pela exposição a químicos sintéticos. Esta exposição pode ocorrer ainda dentro do útero, durante a amamentação ou pela alimentação e respiração, uma vez que as crianças respiram, comem e bebem mais do que os adultos (se considerarmos o seu peso corporal) e têm muitas vezes padrões de alimentação menos variados, particularmente em certas fases do seu desenvolvimento.


Muitos dos comportamentos próprios a determinadas fases (uso das mãos nos primeiros anos; comportamentos de risco na adolescência) podem, também, conduzir a níveis de exposição muito diferentes e superiores aos registados entre os adultos. As crianças têm também um maior período de tempo de exposição à sua frente, o que pode aumentar o seu risco de virem a sofrer de doenças crónicas, despoletadas pela exposição a substâncias químicas.


No caso das crianças, "a fase do desenvolvimento em que se dá a exposição pode ser tão importante quanto a magnitude da exposição" (WHO, 2006: 3), e este é um contexto novo, que muito poucos estudos têm desenvolvido. Se, a título de exemplo, considerarmos que diferentes sistemas de órgãos se desenvolvem a ritmos diferentes, e que uma mesma dose de um dado químico, em diferentes períodos do desenvolvimento, pode ter consequências muito diferentes, é fácil compreender o risco que representa para as gerações futuras permitir que permaneçam em circulação substâncias sobre as quais nada se sabe ou sobre as quais pairam fortes suspeitas de poderem induzir efeitos nefastos na saúde humana.


(1) WHO (2006): Principles for evaluating health risks in children associated with exposure to chemicals; Environmental Health Criteria 237

 


As diferenças entre mulheres e homens


Mesmo na idade adulta, o impacto da exposição a químicos de síntese pode ser muito diferente se se tratar de uma mulher ou de um homem. Para além das diferenças anatómicas e fisiológicas, as mulheres apresentam uma maior tendência para acumular mais gordura, e a gordura acaba por funcionar como um armazém de alguns dos químicos mais perigosos. Por outro lado, as mulheres passam por fases de diferentes do homem, como é o caso da gravidez ou da menopausa, acabando por apresentar diferentes processos de excreção e desintoxicação. Esta é aliás uma das questões mais relevantes no que toca à importância de proteger as mulheres da contaminação química.

 

Durante a gravidez e fase da amamentação a mãe tende a mobilizar as suas reservas de energia e acaba por "limpar" parcialmente o seu corpo, passando para o bebé em desenvolvimento parte do legado químico que foi acumulando ao longo da sua vida.

 

Neste contexto, as crianças, em fases, a todos os níveis, críticas para o seu desenvolvimento, acabam por estar sujeitas a doses elevadas de químicos que poderão ter efeitos muito significativos para a sua vida futura.

 

Não obstante este contexto, os especialistas são unânimes a considerar que a amamentação é ainda a melhor forma de proteger uma criança, até porque o leite de substituição, quer na sua origem, quer na sua produção e distribuição está também sujeito a situações de contaminação por substâncias químicas.

 

Também o contexto sócio-cultural influencia diferentes padrões de exposição entre homens e mulheres. As ocupações profissionais, a distribuição das tarefas quotidianas e os próprios padrões de beleza acabam por ditar a exposição a diferentes químicos. No caso das mulheres, a utilização de produtos de limpeza, o desempenho de funções onde estas substâncias têm uma forte presença (cabeleireiros; gabinetes de estética; perfumarias) e a tendência para usar um número mais alargado de produtos de higiene e cuidado pessoal, podem influenciar o seu grau de exposição, bem como a exposição excessiva a um conjunto específico de substâncias perigosas.



O princípio da precaução


Subjacente ao princípio da precaução está a ideia que, quando colocados perante a necessidade de decidir sobre uma situação que poderá acarretar riscos significativos para a saúde humana e o ambiente (principalmente se estes podem surgir apenas no futuro e as suas consequências ser irreversíveis), mesmo que não existam certezas sobre as suas consequências, a decisão é tomada no sentido de os evitar. Ou seja, mais vale prevenir do que remediar.

 

A definição mais comum é a que saiu da Cimeira do Rio em 1992, inscrita no princípio 15 da Declaração sobre Ambiente e Desenvolvimento: "No sentido de proteger o ambiente será aplicada, de forma generalizada, uma abordagem de precaução por parte dos Estados dentro das suas capacidades. Quando exista a ameaça de danos sérios ou irreversíveis, a ausência de um completo conhecimento científico não será usada para justificar o adiamento de medidas custo-eficientes, de forma a garantir benefícios globais com o menor custo possível".

 

As substâncias químicas são, por excelência, uma área onde a aplicação deste princípio é imperativa. Contudo, a realidade tem sido bem diferente.

 

O princípio da precaução e as substâncias químicas

 

A importância da aplicação do princípio da precaução à área dos químicos pode ser justificada tendo por base diferentes argumentos, entre eles

• Todos os dias estamos sujeitos a um verdadeiro cocktail de químicos de diferentes proveniências e com diferentes características, muito embora os testes à sua segurança (quando existem) se centrem na acção de cada substância por si;
• Os nossos conhecimentos sobre o comportamento das substâncias químicas sintéticas são limitados, e a história indica-nos que é um erro pensar que "porque não conseguimos observar um efeito, ele não existe";
• Estudos mais recentes começam a pôr a nu que afinal muitas substâncias poderão ter um efeito negativo (por si ou através de efeitos sinérgicos com outras substâncias), mesmo em (muito) baixas dosagens;
• Os grupos vulneráveis não são, normalmente, tidos em conta no momento de definir os limites de exposição à grande maioria das substâncias químicas;
• Os dados mais recentes apontam para uma mudança de paradigma; se até agora a ideia dominante era a de que "a dose faz o veneno", vários estudos apontam noutro sentido, particularmente no que diz respeito a grupos mais vulneráveis, como as crianças; o novo paradigma emergente parece ser que "o momento faz o veneno", e muito poucos estudos caracterizaram as exposições ao longo dos vários estádios da vida;
• A experiência indica-nos que os sinais de que uma substância pode ter impacte negativo na saúde humana ou no ambiente, tantas vezes ignorados ou desprezados por entidades reguladoras ou interesses económicos durante anos ou mesmo décadas, raramente são falsos positivos, ou seja, tendem a confirmar-se;
• Na fase de regulamentação de uma dada substância, raramente são integradas as condições reais da sua utilização, entre elas a sua capacidade de interagir com outras substâncias.

 

 

 

 

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