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Esta semana, em resultado da publicação por parte da UE de um pacote de medidas estratégicas na área da energia e alterações climáticas, a energia nuclear voltou a ser notícia. Poucos dias após essa apresentação, um estudo publicado na reputada revista científica Nature vem demonstrar cabalmente as fragilidades e riscos desta forma de energia, nomeadamente, quanto à possibilidade de se conseguir garantir a segurança dos resíduos nucleares.
Segundo o estudo agora publicado, que se centrou num dos materiais candidatos para a construção de contentores de armazenamento de longa duração de resíduos nucleares, (um composto à base de zircónio), a radiação emitida por estes resíduos pode alterar de forma significativa a estrutura do material do contentor de tal modo que, contrariamente aos 250.000 anos esperados para a sua estabilidade, não mais do que 1400 se podem agora antever.
A importância deste estudo
- A fragilidade do material foi exposta porque se utilizaram técnicas que permitem analisar o impacto real deste tipo de resíduos perigosos nos materiais, ao passo que até agora os métodos utilizados se têm centrado, essencialmente, em cálculos e modelações por computador. A técnica utilizada nesta experiência denomina-se espectroscopia por ressonância magnética nuclear (nuclear magnetic resonance spectroscopy). (1) A segurança dos materiais pensados para conter os resíduos é, assim, uma área longe de estar estabelecida.
- Os resultados demonstram claramente que a degradação dos materiais pode ocorrer muito mais rapidamente do que o esperado colocando sérios riscos para as gerações futuras. Convém relembrar que estes resíduos manter-se-ão perigosos por vários milhares de anos. Será assim aceitável que se continue a apostar numa forma de energia que produz resíduos cuja contenção em segurança ninguém consegue garantir?
- Até agora, o debate em torno do armazenamento de resíduos nucleares tem estado centrado nas características geológicas dos locais que poderão um dia vir a acolher os depósitos a grande profundidade deste tipo de resíduos. Para além dos enormes desafios que se conhecem nesta área, este estudo vem demonstrar que há outras áreas fundamentais para o debate, como a que se refere às formas como os resíduos poderão ser acondicionados em segurança.
Nuclear não obrigado
Os perigos que rodeiam a produção de energia nuclear são inegáveis e reconhecidos pela própria União Europeia ao decidir apoiar financeiramente investigação na área da segurança das centrais e dos destinos para os resíduos nucleares, ainda que estejamos a falar de uma tecnologia que apresenta estas externalidades desde o seu início, há cerca de 50 anos atrás.
O facto é que até agora não foram encontradas soluções que satisfaçam os decisores políticos, que continuam a aceitar desviar fundos que poderiam ser aplicados em soluções sustentáveis (como e eficiência energética e as energias renováveis), na tentativa de garantir condições mínimas de segurança que possam assegurar a aceitabilidade desta tecnologia. Contudo, a realidade demonstra claramente que a energia nuclear não é uma opção para os europeus e, em particular, para os portugueses que, no mais recente Eurobarómetro (2) sobre a temática da energia, demonstraram claramente que esse não é o caminho desejado em termos de política energética.
Dados como os agora apresentados na Revista Nature só vêm dar razão à perspectiva dos cidadãos e de todos aqueles que consideram que o nuclear não é uma solução viável e aceitável.
Lisboa, 13 de Janeiro de 2007
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(1) http://www.nature.com/news/2007/070108/pf/070108-6_pf.html - “Canned nuclear waste cooks its container - Estimates of radiation damage to materials have been too low” (10 de Janeiro 07)
(2) http://ec.europa.eu/public_opinion/archives/ebs/ebs_262_en.pdf - Energy Technologies – Knowledge, Perception and Measures (Janeiro 2007)
Referência do artigo
Ian Farnan – Universidade de Cambridge
Herman Cho e William J. Weber – Pacific Northwest National Laboratory – Washington
“Quantification of actinide a-radiation damage in minerals and ceramics”
Nature, 445, 190-193 – Janeiro de 2007
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