A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, após a ocorrência do incêndio de ontem no Parque Natural da Arrábida, vem desta forma lamentar mais uma vez a perda de um património natural de extremo valor, novamente por razões recorrentes – os fogos florestais.

 

De acordo com a última proposta de Plano de Ordenamento trazida a público pelo Instituto de Conservação da Natureza já no passado mês de Fevereiro de 2003, as áreas ardidas estão classificadas como Protecção Parcial I e II e Protecção Complementar I. Estas classificações correspondem, depois da Protecção Total, aos mais altos estatutos de protecção do património natural, o que demonstra a dimensão das perdas ambientais decorrentes deste triste acontecimento.

 

Os números já avançados pelas autoridades oficiais, que apontam para um valor próximo dos 300 hectares de área ardida, não mostram de forma correcta a extensão desta calamidade, porquanto uma área maior terá alegadamente sido afectada, pelo facto de este valor corresponder a uma área ardida dispersa pela área sul/nascente do PNA. 

 

A Quercus acompanhou de perto o decorrer dos esforços no teatro das operações, e quer deixar aqui o público reconhecimento do esforço das centenas de bombeiros na defesa do património natural desta Área Protegida. Da mesma forma, não pode deixar de registar com agrado a presença de diferentes responsáveis ao nível regional, nomeadamente dos esforços desenvolvidos pela Sr.ª Governadora Civil, que desde o início acompanhou no local os trabalhos ao lado dos responsáveis das autarquias. Infelizmente, não foi possível contactar no local qualquer responsável do Instituto da Conservação da Natureza, nem em especial da Direcção do Parque Natural da Arrábida.

 

A Quercus espera que o ICN, através do Parque Natural da Arrábida tome de imediato as medidas que se mostram urgentes para avaliar o real impacte na fauna, flora e habitats decorrentes deste incêndio, bem como as acções a tomar em resultado desse diagnóstico. 

 

Paralelamente, é necessário esclarecer qual a estratégia de vigilância de fogos implementada nesta época de fogos pela Direcção do Parque, que do conhecimento que temos envolve menos meios e uma estratégia menos eficaz, facto que esperamos vir a esclarecer melhor na reunião que está já agendada entre a Quercus e o PNA, para o próximo dia 14 de Julho.

 

A Quercus lembra ainda que este facto é tanto mais gravoso porquanto está em curso o processo de preparação da candidatura da Arrábida a Património Mundial Natural da Humanidade, que apesar de não incluir a área ardida como área principal, a inclui como zona tampão a conservar e melhorar em termos de valores naturais e paisagísticos.

 

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

Lisboa, 7 de Julho de 2004

 

 

 

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