As câmaras municipais de Águeda e Anadia recusaram a instalação nos seus concelhos de um incinerador para queimar os resíduos produzidos pelos cerca de um milhão e meio de habitantes dos distritos de Aveiro e Coimbra e concelhos de Vila Nova de Gaia e Vila da Feira.

 

Esta decisão foi tomada devido às más localizações propostas, assim como pelo facto destas autarquias acreditarem ser possível reciclar e tratar os resíduos urbanos sem recorrer à incineração.

 

A Câmara de Águeda tomou essa decisão por unanimidade no passado dia 5 de Junho (dia Mundial do Ambiente), enquanto que a de Anadia.já comunicou por escrito à ERSUC (a empresa responsável pela gestão dos resíduos da região) a sua decisão em não aceitar o incinerador.

 

Os concelhos de Águeda e Anadia eram os dois indicados em primeiro lugar para a localização do incinerador, num estudo encomendado pela ERSUC.

 

Nesse estudo foram analisadas 9 alternativas de localização, 7 das quais em Anadia, 1 em Águeda e 1 em Oliveira do Bairro, cuja autarquia também levantado algumas reservas a este projecto.

 

Esta decisão vem naturalmente por em cheque a construção do incinerador e deve ser entendida como um sinal claro para os responsáveis do Ministério do Ambiente e da ERSUC sobre inviabilidade deste projecto.

 

A atitude das câmaras de Águeda e Anadia merece o total apoio da Quercus, que considera este projecto completamente injustificável, quer do ponto de vista ambiental, quer económico, quer mesmo social e que vai contra as próprias orientações da União Europeia.

 

Com efeito, o projecto em causa consiste num enorme incinerador (o maior do país), sem qualquer tratamento prévio dos resíduos, sem aproveitamento da matéria orgânica e sem uma estratégia séria de reciclagem.

 

Convém lembrar que a ERSUC já há algum tempo que tenciona instalar este incinerador, pelo que o seu esforço de reciclagem tem sido quase nulo, tal como o provam os dados de 2002 em que só 3% dos resíduos foram reciclados, sendo os restantes colocados em aterro.

 

A Quercus está convicta que a construção deste incinerador não iria seguramente ser um incentivo para aumentar a já tão fraca reciclagem. 

 

Lisboa, 4 de Julho de 2003 

 

Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

Outros documentos relacionados:

 

Incineração de resíduos financiada ilegalmente (26-06-03) 

 

Incineração de Resíduos não é Valorização: Portugal tem de reciclar mais! (18-06-03)

 

 

 

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