QUERCUS lança segundo episódio da série “Ameaças Silenciosas” sobre monoculturas de espécies florestais

A QUERCUS lança hoje o segundo episódio da série de vídeos “Ameaças Silenciosas” dedicado às monoculturas de espécies florestais. A ausência de política florestal coerente deixou o país à mercê de interesses económicos que condicionam perigosamente o desenvolvimento rural e do próprio país!

Monocultura, povoamentos contínuos e práticas que acentuam a erosão do solo, são três fatores combinados que ameaçam e aumentam o risco de incêndios incontroláveis, limitam a diversificação de outras fileiras florestais e condicionam a produtividade do território. Será muito difícil inverter o atual cenário, mas não impossível, assim haja a vontade política. Organizações da sociedade civil, como a Quercus, têm um papel importante em ajudar o país a sair deste afunilamento no eucalipto, que transformou o país num “barril de pólvora”.

O povoamento florestal do nosso país tem sofrido profundas mudanças nas últimas décadas com predomínio de espécies de elevada combustibilidade. O eucalipto e o pinheiro ocupam atualmente cerca de 20% do território! Com a monocultura e as más práticas aumentam os problemas fitossanitários devido ao stress e danos que enfraquecem as árvores, assim como muitos outros problemas ao nível ambiental, social e económico, dos quais os incêndios incontroláveis. Estima-se que o custo com os incêndios seja 153 milhões de € todos os anos, entre 2006 e 2016 (fonte ICNF). Mas estes custos estarão a aumentar dada a gravidade cada vez maior dos incêndios!

Que soluções? Políticas públicas são essenciais para regular mercado e mudança de práticas

A questão de fundo é diversificar a ocupação das áreas florestais que nos liberte do afunilamento no eucalipto, numa perspetiva mais integrada e ecológica.

A diversificação de outros produtos florestais, como a bolota para alimentação animal e humana e outros frutos silvestres, recoleção de cogumelos, aproveitando ainda as potencialidades turísticas de uma paisagem diversa e cuidada.

Enquanto prosseguir o processo de diversificação da nossa floresta podemos desde já mudar práticas, em particular não mobilizar o solo, preservar sub-coberto, regenerar o bosque natural nas faixas de gestão de combustível e outras áreas. Apoios à trituração dos sobrantes (que são essencialmente ramos) e maiores restrições a fogueiras e queimadas. Todas estas medidas irão aumentar a produtividade florestal, para além de todos os serviços dos ecossistemas, como a conservação da água e dos nutrientes e a biodiversidade.

 

 


Sobre a série de vídeos “Ameaças silenciosas”

Esta série de vídeos foi lançada em dezembro de 2020, assinalando o final do Ano Internacional da Saúde das Plantas, traça o cenário atual de vários problemas e práticas que afetam gravemente a saúde das plantas e dos ecossistemas em Portugal e aponta soluções!

Episódio 1: O declínio do montado – A ameaça esquecida da Fitóftora
Episódio 2: A Ameaça Silenciosa das Monoculturas florestais


Lisboa, 9 de fevereiro de 2021

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

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