SOS AMIANTO celebra um ano de vida com o lançamento de um folheto informativo para a comunidade escolar

Histórias dramáticas de perdas humanas e de sofrimento tomaram conta dos nossos contactos neste último ano relatadas por familiares e vítimas, trabalhadores de antigas fábricas de fibrocimento, manutenção e estaleiros navais, construção civil entre outros. Histórias com finais trágicos que nos mostram o desenvolvimento de asbestoses e mesoteliomas em Portugal e a certeza que muito há ainda a fazer.

 

Um ano depois do lançamento do Primeiro Grupo de Apoio às Vítimas do Amianto em Portugal, plataforma lançada pela Quercus, muitas são as histórias para contar que demonstram que esta fibra afetou e continua a afetar muitas pessoas em Portugal.

 

Mais de duas centenas de contactos neste último ano, relatos da presença de amianto em fábricas abandonadas, coberturas de edifícios particulares, edifícios de escritórios, escolas, hospitais, teatros, bibliotecas, universidades, edifícios militares e tantos outros.

 

“Não há um dia em que alguém não nos questione ou denuncie sobre esta problemática”- diz Carmen Lima, coordenadora da plataforma SOS Amianto

 

Dezenas de denúncias foram realizadas à ACT pelo SOS AMIANTO sobre situações de remoção de amianto em empresas, escolas e escritórios em funcionamento, um dos maiores erros no processo de remoção da fibra. “A diversidade da presença de amianto em Portugal é uma certeza que temos que admitir de uma vez por todas”, salienta Carmen Lima e acrescenta” o Amianto está por todo o lado e urge uma intervenção responsável e coordenada por parte de todos os intervenientes”.

 

Para celebrar o primeiro ano desta plataforma que visa informar e ajudar pessoas e instituições, lançamos com o apoio da FENPROF um folheto informativo que ajude a comunidade escolar, um dos grupos mais expostos a espaços com amianto, a conhecer o que é esta fibra e como e quando existe uma maior perigosidade por exposição a este material. A desinformação pode levar a riscos acrescidos e evitáveis.

 

A SOS AMIANTO comunicou ao Ministério da Educação a listagem de denúncias de escolas ainda contendo amianto, na qual em muitas situações os materiais já se encontram degradados. Houve ainda intervenções com autarquias no sentido de informar como e quando é mais seguro uma intervenção nestes espaços antes identificados. Segundo a coordenadora da plataforma “Regular a remoção do amianto em escolas para períodos de pausa letiva, evitando a remoção aos fins-de-semana e feriado é essencial para garantir a segurança de todos os intervenientes.”

 

Carmen Lima acrescenta: ”Reunimos com todos os Grupos com assento parlamentar numa tentativa de os sensibilizar para esta temática e alertar para a necessidade de regular o setor através da criação de um alvará para as empresas de remoção de amianto, e uma certificação para os técnicos que identificam estes materiais, por forma a dar garantias e credibilidade ao mercado, permitindo inclusive às empresas a possibilidade de trabalhar em outros mercados mundiais.”

 

Analisámos os custos do amianto e concluímos que tratar os doentes de cancro provocado por este carcinogénico pode ser 50 vezes mais caro que remover uma cobertura em fibrocimento. Prevenir continua a ser a chave para o problema.

 

Verificámos que, de acordo com o INE e a APA, está a ser importado amianto para Portugal, com a entrada por exemplo de resíduos para eliminação. O INE avança com números relativos à importação de Matérias perigosas diversas (amianto, PCB´s e aparelhos contendo PCB´s) de 34 373 toneladas em 2017 e de 18 951 toneladas em 2016. Quanto à APA assume a entrada de 727 ton de resíduos contendo amianto para eliminação – deposição em aterro em Portugal, valores relativos ao total de 2016 e 2017. (Estes são os dados disponíveis mais recentes).

 

“Agora lançamos esta rubrica dedicada às escolas denominada “O amianto está na escola, e agora?”- um desdobrável em pdf para pais, alunos, professores, profissionais das escolas portuguesas, que esclarece o que é o amianto e dá conselhos úteis para enfrentar e resolver o problema e no futuro próximo vamos avançar com ações de sensibilização para todos os sectores da sociedade, envolvendo também as Ordens profissionais que mais contactam com este tipo de fibras.”- diz Carmen Lima.

 

O Amianto é uma palavra que quase todos nós já ouvimos e associamos aos telhados, o que é uma ideia absolutamente redutora quanto à presença desta fibra nos edifícios, sendo que na maioria das vezes, não achamos que há grande mal, pois todos nós já estivemos expostos e ninguém se lembra de ter adoecido por isso. No entanto, existe uma realidade associada ao Amianto desconhecida pela maioria das pessoas.

 

O Amianto foi incorporado em cerca de 3.000 materiais diferentes, desde as tradicionais coberturas, aos pavimentos em vinil, tetos falsos, diversos materiais em fibrocimento como autoclismos ou condutas de abastecimento de água, alcatifas, papel de parede, torradeiras, secadores de cabelo ou até mesmo radiadores.

 

É uma fibra natural abundante na natureza, com boas propriedades físicas e químicas, como resistência mecânica às altas temperaturas, incombustibilidade, boa qualidade isolante, durabilidade, flexibilidade, indestrutibilidade, resistente ao ataque de ácidos e bactérias, facilidade de ser trabalhada como um tecido, para além do baixo custo.

 

Face a estas características, o Amianto foi amplamente utilizado, entre 1945 – 1990, em materiais para fins domésticos, uso industrial, e em materiais para a construção. Poderá encontrar diversos exemplos destes materiais e equipamentos em www.sosamianto.pt

 

A plataforma SOS AMIANTO foi lançada no Primeiro Encontro Internacional sobre Amianto, realizado em lisboa em 2018, que contou com convidados nacionais e internacionais para esclarecer, informar e sensibilizar sobre esta temática, evento bienal que irá repetir-se em 2020.

 

 

Lisboa, 14 de novembro de 2019

 

 

 

 

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