Eliminar o desfasamento dos testes garantindo aos consumidores etiquetas energéticas baseadas no uso real

Reforçando os testes de máquinas de lavar louça, frigoríficos e televisores

 

 

21 de junho de 2017, Bruxelas - Na semana passada, o Parlamento Europeu aprovou a revisão do Regulamento de Etiquetagem Energética reforçando o papel preponderante do consumidor. Na sequência dessa decisão parlamentar, um grupo de ONGAs publica, hoje, um relatório com os resultados de 18 meses de pesquisa sobre as normas de ensaio de três produtos populares, incluídos no sistema de etiquetagem energética - máquinas de lavar louça, frigoríficos e televisores. O estudo revelou que as normas de ensaio, quando usadas para a declaração de desempenho energético desses produtos, nem sempre refletem a utilização típica que o consumidor lhes dá, nem os desenvolvimentos tecnológicos.

 

Os aparelhos abrangidos pela etiqueta energética da União Europeia (UE) são responsáveis pela maior parte do consumo de energia doméstica. Em conjunto com outras políticas de eficiência, os especialistas estimam que estas políticas podem reduzir as faturas energéticas de família média da UE em quase 500 € até 2020 [1].

 

Pode aceder ao relatório aqui.

 

As associações ambientalistas exigem normas mais precisas, justas e relevantes para o consumidor, em conformidade com a disposição incluída na nova revisão do regulamento de Etiquetagem Energética da UE, que afirma "as normas harmonizadas devem tentar simular o uso real, na medida do possível, mantendo um método de ensaio padrão." [2]. Estas normas servem de base à construção de políticas robustas e têm que estar atualizadas de acordo com a evolução tecnológica e comportamental e novas funcionalidades que entrem no mercado.

 

 

A investigação

 

Um grupo de ONGs colaborou no estudo de normas de ensaio de três produtos populares: máquinas de lavar louça, frigoríficos e televisores. Seguindo as normas harmonizadas europeias e introduzindo variações às mesmas, as ONGs testaram o desempenho do produto sob condições de ensaio harmonizados e em condições mais próximas da vida real. Apenas uma unidade de cada modelo foi testada, pelo que os resultados e o processo seguidos não constituem testes de fiscalização de mercado nem uma verificação da conformidade. Por esse motivo, os nomes dos modelos testados não são publicados no relatório.

 

Resultados:

 

A descoberta-chave da investigação é a necessidade de melhorar as metodologias de teste em geral e estabelecer uma base sólida para medidas mais representativas, mais fiáveis e para melhores medidas políticas que dependem dessas medições.

 

Através desta pesquisa e testes foram identificadas quatro questões mais problemáticas que podem estar a prejudicar a representatividade e a transparência da etiqueta energética:

 

- Diferenças no consumo de energia entre as normas de teste e as que refletem melhor o uso na vida real - isso pode induzir em erro os consumidores, que podem ter uma falsa impressão dos custos de utilização nas suas habitações;

 

- Normas de ensaio que não acompanham o progresso tecnológico – o que pode impedir a medição de energia usada por novas funcionalidades e não incentivar os fabricantes a torná-las mais eficientes em termos energéticos;

 

- Ambiguidades nas normas de ensaio que prejudicam a reprodutibilidade dos parâmetros medidos – o que pode reduzir a consistência e a precisão das medições realizadas em diferentes laboratórios na Europa;

 

- Informações confusas ou inexistentes ao consumidor - esta preocupação centra-se na falta de informações sobre o consumo de energia na ampla gama de modos e opções disponíveis nos aparelhos atuais.

 

 

Soluções propostas

 

As ONGs recomendam que a comunidade de normalização, os decisores políticos e outras partes interessadas trabalhem em conjunto para melhorar as normas dos três grupos de produtos investigados, incluindo:

 

• Colocar mais ênfase nos padrões reais de utilização para todas as normas de produtos e dar mais voz aos grupos da sociedade civil sobre a configuração padrão. Normas realistas são menos vulneráveis manipulação de software. As normas devem ser revistas com mais frequência para acompanhar o desenvolvimento tecnológico.

 

• A etiqueta energética deve sempre basear-se no programa e configurações mais utilizados e os consumidores devem ser informados sobre os impactos no consumo de energia quando se desviam deles.

 

• Assegurar que os consumidores recebem informações úteis sobre impactos quando mudam as configurações e / ou atualizam o software, e que possam sempre voltar à configuração anterior.

 

• As entidades nacionais responsáveis pela aplicação da lei precisam de maiores recursos para combater os infratores, incluindo a concessão de compensações aos consumidores. Atualmente, os consumidores perdem cerca de 10 mil milhões de euros por ano na Europa [3].

 

• Complementar as normas de ensaio com um teste adicional definido com base no uso real. Se o desvio de resultados entre os dois não cumprir os limites aceitáveis, o modelo é submetido a mais testes e / ou declarado não conforme.

 

A par destas recomendações, as ONGs desenvolveram um novo vídeo de teste para medir o consumo médio de energia de um televisor que está muito mais próximo do que é transmitido hoje do que o vídeo normalizado, que tem mais de dez anos. Também sugerimos um método de teste para medir o controlo de brilho automático, uma característica que adapta o brilho do ecrã à luz ambiente. Estes são oferecidos para ajudar a fortalecer os testes dos televisores e a melhorar a representatividade do teste em relação ao uso real.

 

 

Notas

[1] Veja: https://ec.europa.eu/energy/sites/ener/files/documents/ecodesign_factsheet.pdf

[2] Veja: https://www.coolproducts.eu/news/european-citizens-and-businesses-to-benefit-from-newly-approved-energy-label

[3] Veja: http://www.web4948.vs.speednames.com/upl/File/Ecodesign/Session-2-CLASP.pdf

 

 

 

 

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