Milhafre-preto regressa à natureza

Ave procedente de cativeiro ilegal foi recuperada no Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco e vai ser libertada

 

 

Libertações Munich Re No  próximo dia 18 de Março, a Quercus, através do seu Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco, vai devolver à natureza um Milhafre-preto (Milvus migrans).              

 

Esta ave de rapina procedente de cativeiro ilegal foi recolhida no verão passado no concelho de Ponte Sor pelo SEPNA – Serviço de Protecção da Natureza da GNR e foi entregue no Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Castelo, onde permaneceu em recuperação até à data.

 

Esta ave vai ser devolvida a natureza com os alunos do agrupamento de escolas de Mação e elementos do SEPNA de forma a sensibilizar para a necessidade de proteger a nossa biodiversidade.

 

O milhafre-preto mede cerca de 55 cm de comprimento e 135–155 cm de envergadura, e  cerca de 1 kg de peso. A plumagem é de cor castanha, de tom mais escuro na parte superior das asas. O milhafre-preto é uma ave predadora que se alimenta de pequenos mamíferos, em particular roedores, e anfíbios, mas com características de oportunista alimentar que varia a dieta de acordo com a localização geográfica e época do ano. Esta ave adaptou-se bastante bem à presença humana e pode ser observada em cidades. O milhafre-preto é ocasionalmentenecrófago, aproveitando os cadáveres de outros animais mortos em estradas.

 

 

Cativeiro ilegal

 

O cativeiro ilegal continua a ser uma das causas de entradas de animais nos centros de recuperação em Portugal. Na maioria das vezes as crias são pilhadas no ninho, ou quando são encontrados animais feridos, as pessoas ficam com eles em sua casa. A recuperação destes animais inclui aspetos tanto físicos como psicológicos, torando-a longa e complicada. Muitos deles ficam irrecuperáveis devido a socialização (imprinting) com a espécie humana, pelo que não são capazes de desenvolver os comportamentos próprios da sua espécie. Em 2015 ingressaram no CERAS 6 casos de animais vivos, com uma taxa de recuperação de 20%.

 

 

O trabalho desenvolvido pelo CERAS

 

Atualmente, a Quercus gere três centros de recuperação que integram a rede nacional de centros sob tutela do Instituto da Conservação da Natureza: o Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco (CERAS), o Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Montejunto (CRASM) e o Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Santo André (CRASSA).

 

O Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco, inaugurado em 1998, recebeu até à data mais de 2800 animais. Em 2015 o CERAS recebeu 276 animais. A maior afluência de animais deu-se nos meses Abril. Maio, Junho, Julho e Agosto. Os animais que de entrada no CERAS eram provenientes dos distritos de Castelo Branco (64%), Portalegre (26%) Santarém (5%); o restante 5% tinha outra origem. As entidades que entregaram o maior número de animais foram o SEPNA (44%), os particulares (22%), o ICNF (18%), e a Quercus (11%). As causas de entrada mais frequente foram os traumatismos (37%), queda do ninho (21%), electrocução (9%), e envenenamento (8%). Outras causas de entrada são Juvenis desorientados e debilidade geral ( 5%). As entradas por tiro tiveram uma descida importante em comparação a 2014, representando apenas 2% do total. Em 2015 o CERAS teve uma taxa de recuperação e devolução a natureza de cerca de 60% dos animais que deram entrada.

 

 

Lisboa, 17 de Março de 2016

 

 

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

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