Quercus considera que Portugal se deve opor ao acordo assinado entre a União Europeia e o Mercosul enquanto o governo Brasileiro continuar as suas políticas destruidoras do Planeta

União Europeia fecha os olhos às questões ambientais para favorecer a atividade mercantil que pode atingir 100 mil milhões de euros em comércio bilateral de bens e de serviços.

 

A União Europeia assinou um acordo com o Mercosul, que procura expandir o acesso ao mercado e ao comércio entre as duas regiões, incluindo o Brasil. Este acordo reúne um mercado de 780 milhões de pessoas, permitindo à UE economizar milhares de milhões de euros por ano em tarifas comerciais.

 

Em conformidade com o Tratado da União Europeia, a UE e os seus Estados-Membros prometem respeitar e promover os direitos humanos como objetivo primordial nas suas relações com outros países.

 

Para além de questões relacionadas com os Direitos Humanos na América do Sul, e em especial no Brasil, estão em causa importantes questões ambientais, tais como:

 

- Perda da biodiversidade galopante em todos os biomas da América do Sul;

 

- Destruição da Floresta Amazónica e do Cerrado;

 

- Expansão das monoculturas intensivas e da pecuária intensiva à custa da destruição e ecossistemas naturais;

 

- Desrespeito pelos Territórios Indígenas;

 

- Utilização não controlada de pesticidas e Organismos Geneticamente Modificados;

 

- Pegada carbónica do transporte dos produtos agropecuários da América do Sul para a Europa.

 

 

Desde a tomada de posse do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019, a administração Brasileira continua a instigar o ataque a algumas das regiões mais preciosas e ecologicamente valiosas do mundo. No Brasil, tanto o Ministério do Ambiente como o Ministério das Relações Exteriores são agora liderados por pessoas que negam o aquecimento global, o que levou à abolição dos departamentos responsáveis pelo combate às alterações climáticas.

 

Para as questões do Ambiente e da Conservação da Natureza, a Europa não pode ter dois pesos e duas medidas, e é eticamente reprovável ignorar a destruição da floresta amazónica que atualmente se verifica, apenas para ter carne de vaca mais barata na Europa e poupar dinheiro em taxas alfandegárias. A proteção do planeta e do clima tem que ser mais importante do que o dinheiro e a carne barata.

 

Tal como a França se nega a ratificar o acordo da UE com o Mercosul, se o Brasil não respeitar os compromissos sobre desflorestação e proteção da floresta Amazónica, a Quercus considera que Portugal deverá também tomar a mesma posição, tendo em conta os riscos ambientais de grande envergadura e os impactos globais que as atuais políticas brasileiras estão a provocar

 

 

Lisboa, 8 de julho de 2019

 

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

 

 

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