Estudo internacional retrata escolhas de equipamentos em termos de eficiência energética

Portugueses escolhem mal frigoríficos novos e consumo é bem maior que média europeia

 

etiqueta energeticaO consórcio responsável pelo projeto TopTen, de que a Quercus faz parte, desenvolveu um estudo com o objetivo de demonstrar a importância da monitorização do mercado na avaliação das políticas de eficiência energética.

 

Compreender a evolução do mercado permite aos políticos tomar decisões corretas e bem informadas acerca dos melhores padrões de desempenho e dos limites das classes de eficiência energética, de forma a atingir a máxima eficiência. Infelizmente a Europa não têm um sistema obrigatório de monitorizaçãodo mercadoe das vendas. Como tal, a avaliação das poupanças obtidas pela venda de produtos mais eficientes e com etiqueta energética, não tem sido devidamente analisada, sendo este estudo pioneiro nesse aspeto.

 

O objetivo específico do mesmo é mostrar a relevância da monitorização dos denominados eletrodomésticos de linha branca, nomeadamente frigoríficos e máquinas de lavar roupa. Os resultados obtidos sustentam as revisões em curso dos regulamentos de conceção ecológica e rotulagem energética.

 

O projeto foi realizado pela ADEME (Agence française de l'Environnementet de la Maîtrise de l'Energie) e pela WWF Suíça, em conjunto com o consórcio TopTen. Os dados de vendas e as características dos frigoríficos, máquinas de lavar e secadores de roupa foram obtidos pela GfK, uma empresa de pesquisa de mercado profissional.Os dados abrangem o período de 2004 a 2014, na União Europeia-25, além de ter analisado separadamente dois países, França e Portugal.

 

Frigoríficos: consumo de energia caiu 25% em dez anos na União Europeia (EU), mas Portugal com valores anuais bem acima da média europeia. 

Na UE, onde os frigoríficos de classe de eficiência energética A foram banidos entre 2012 e 2014 e os classificados como A+ são agora os menos eficientes, o consumo médio de energia dos frigoríficos foi reduzido em 25% nos últimos10 anos.

 

Porém, o consumo médio dos frigoríficos vendidos em França ésuperior em 11 kWh/ano àmédia da EU e os vendidos em Portugal consomem mais 15 kWh/ano. A principal razão para a diferença entre a média da UE e os valores de Portugal está assumidamenterelacionada com uma menor eficiência energética e, provavelmente, com a maior dimensão doscompartimentos de congelação. O volume médio dos frigoríficos aumentou apenas 8 litros (3%) na UE nos últimos dez anos, embora em Portugal a capacidade se tenha mantido inalterada. Apesar das grandes melhorias de eficiência, o preço nominal médio pago por frigorífico subiu apenas 7%. Entre 2004 e 2014, o total dos custos para os consumidores (preço de aquisição + custos em eletricidade) teve uma redução de 13% (para 985 euros) em toda a UE, sendo que no caso de Portugal a mesma atingiu 22%.

 

Uma maior eficiência dos frigoríficos pode ainda assegurar um grande potencial de poupança de eletricidade para a Europa. Se, 2014, se tivessem vendido frigoríficos de classe A++ em vez de classe inferior, Portugal teria conseguido uma poupança acrescida de 194 GWh ao longo da vida útil destes eletrodomésticos.

 

Máquinas de lavar roupa: nenhuma correlação clara entre as classes de eficiência e um baixo consumo de energia

 

Tal como no caso dos frigoríficos, também a classificação energética das máquinas de lavar está limitada às classes A+ ou superiores,no mercado da UE (desdeDezembro 2013).

Dado que foram introduzidos novos métodos de cálculo para a eficiência e consumo de energia e uma nova medição padrão, as tendências ao longo do tempo são difíceis de quantificar.

 

Em 2014, três anos após a introdução da nova etiqueta, perto de metade das máquinas de lavar roupa vendidas eram de classe energética superior(A+++). Assim, não só são necessárias novas / melhores classes de eficiência na etiqueta energética, como a própria fórmula de cálculo precisa de ser revista. No cálculo atual, tudo indica que as máquinas de lavar são mais eficientes por serem maiores e não porque consumirem menos energia. Os resultados do estudo confirmam esta ideia:

• As diferenças no consumo médio anual de energia entre as várias classes de eficiência são pequenas ou mesmo inexistentes.

• As máquinas de lavar roupa vendidas commelhores classes de eficiência (A+++, A++) são maiores do que as das classes menos eficientes.

• Com o aumento da eficiência, existe também uma forte tendência no aumento da capacidade das máquinas de lavar.

• Apesar de serem mais eficientes, as máquinas de lavar portuguesas têm um consumo energético médio maior do que as máquinas vendidas na UE e na França. A razão é serem de maior capacidade.

• A análise da fórmula de cálculo mostra um favorecimento da classe energética nas máquinas com maiores capacidades.

 

Isto não significa necessariamente que máquinas de lavar maiores / mais "eficientes" tenham de facto um maior consumo de energiadurante o seu funcionamento. O consumo de energia real de uma máquina de lavar é definido por muitos fatores, tais como o número de ciclos de lavagem, a escolha do programa e da temperatura da água, a quantidade eo tipo de roupa.

Se for otimizado o consumo de água e energia das máquinas de lavar com maior capacidade, para a quantidade e o tipo de roupa dos vários programas, estas não irão consumir mais energia do que as máquinas de lavar mais pequenas. Porém, não se conhecem os resultados fora das condições padrão utilizadas para a atribuição da classe de eficiência. Se as máquinas não se adaptarem a pequenas cargas, as máquinas de lavar maiores poderão desperdiçar mais energia que as menores.

Tendo em conta que a etiquetagem energética se destina a fomentar a economia de energia,é necessário então traduzir também as economias de energia em termos absolutos e não apenas por capacidade em quilograma.

 

Secadores de roupa: 42% das máquinas de secar roupa na Europa já têm tecnologia de bomba de calor.

O mercado dos secadores de roupa na UE é caracterizado pela alta eficiência. As bombas de calor são a tecnologia mais eficiente em termos energéticos nos secadores de roupa (classes A e superiores, consumindo cerca de 50% menos energia do que secadores convencionais das classes B e C).

 

Na Europa a percentagem de máquinas com esta tecnologia representou, em 2014, 42% do total de vendas. As diferenças entre países ainda são grandes: apesar de, em Portugal, este tipo de equipamentos ter uma procura baixa face ao nosso clima, as vendas de equipamentos eficientes em Portugal atingiram apenas 32%, longe dos 42% da média europeia.

 

 

Se todos os secadores de roupa em vendidos em Portugal fossem de classe energética A+ ou superior, tal representaria uma poupança acrescida de 90 GWh, considerando o total do seu tempo médio de vida. Em Portugal, o preço de um equipamento com bomba de calor é claramente superior (+ 64%) do que secadores de classe B. Porém, apesar dos preços de compra mais elevados, os secadores com bomba de calor compensam o investimento inicial, quando se consideram os custos totais (preço de aquisição + custos de eletricidade).

 

 

Informação completa em www.topten.eu/Documentation.html

 

 

Lisboa, 3 de junho de 2015

 

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

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