Quercus quer revisão da meta portuguesa de 10% de Biocombustíveis no sector dos transportes para 2010

Os membros do Comité do Ambiente do Parlamento Europeu votaram na passada segunda-feira, dia 7 de Julho, em Estrasburgo, uma redução significativa das metas de promoção do uso de biocombustíveis. Esta decisão baseou-se na evidência dos seus impactos negativos sobre a biodiversidade, as pessoas e o aumento dos preços dos bens alimentares, com o consequente fracasso no combate às alterações climáticas.

 

Parlamento Europeu revê em baixa meta de 10% de biocombustíveis em 2020.

O Comité do Ambiente do Parlamento Europeu, acordou, por votação em Estrasburgo, uma meta de 4% relativa à incorporação de biocombustíveis em 2015, sendo que para 2020 o objectivo é alcançar uma taxa entre os 8 e 10%. Na base desta medida estão os assumidos efeitos negativos associados a estes combustíveis alternativos, quer em termos ambientais quer sociais.

 

Os Membros do Parlamento Europeu (MPE) sustentam que a meta para 2020 deve prever uma incorporação entre os 40 e os 50% de veículos eléctricos ou movidos a hidrogénio a partir de energias renováveis, biogás e biocombustíveis de 2ª geração. Pretende-se assim reduzir ainda mais o uso de biocombustíveis provenientes de culturas energéticas.

 

A Quercus congratula-se com a decisão tomada pelos Membros do Comité do Ambiente do Parlamento Europeu e acredita que este é um sinal político claro de como a produção intensiva de culturas energéticas é inaceitável. Existe agora uma maior preocupação no que respeita à produção de biocombustíveis e ao conflito que podem causar em termos de alimentação e de conservação da natureza.

 

Quercus defende revisão da meta portuguesa para 2010

 

A Quercus pediu, numa carta enviada hoje aos Ministros do Ambiente e da Economia, que a meta de Portugal nesta matéria seja também revista, depois do sinal dado pelo Parlamento Europeu. Relembramos que a meta portuguesa é ainda mais ambiciosa do que a europeia, fixando a incorporação de biocombustíveis nos transportes em 10% até 2010. Apesar de não ser um aspecto crítico em termos ambientais, vários fabricantes de veículos noutros países têm-se recusado a assegurar a garantia dos automóveis adquiridos face a uma utilização desde já tão extensa dos biocombustíveis. Em Portugal, a taxa actual de incorporação é de 4% e para se conseguir cumprir os 10% até 2010, estabelecidos pelo actual Governo no âmbito do Programa Nacional paras as Alterações 

 

Climáticas, tal será feito à custa de importação.

 

A redução de emissões nos transportes tem de passar em primeiro lugar pela redução de emissões standard para os veículos novos comercializados na União Europeia, que será votada pelos membros do Parlamento Europeu no próximo mês de Setembro. Desta forma, além de reduzir a necessidade de recorrer às culturas energéticas como alternativa aos combustíveis fósseis, promovem-se soluções a médio e longo prazo através das quais se poderá realmente conseguir uma redução efectiva das emissões de gases de efeito de estufa, indo ao encontro das metas de Quioto.

 

 

Lisboa, 9 de Julho de 2008

 

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

 

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