Tráfico de animais selvagens e negligência:

Na sequência da reportagem exibida ontem pelo programa Planeta Azul, na RTP 1, a Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, considera que foram muito graves as diversas tentativas de aquisição de espécies exóticas, filmadas com câmara oculta, que revelaram além de um total incumprimento da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (CITES), a relativa facilidade com que o comércio ilegal de espécies exóticas é feito em Portugal.

 

Perante a ineficácia e ausência de meios da CITES e das demais entidades com competências de fiscalização, e sobretudo da situação de incumprimento flagrante da Convenção, a Quercus vai apresentar uma queixa ao Secretariado Internacional da CITES.

 

Simultaneamente, a Quercus vem exigir publicamente a abertura de um inquérito à actuação do Instituto de Conservação da Natureza (ICN). Na referida reportagem, técnicos do ICN deslocaram-se aos Açores numa missão de apreensão de alguns animais exóticos. Parte das capturas diziam respeito a um leão, duas leoas e uma pantera. A reportagem da RTP mostrou, no entender da Quercus, que os técnicos do ICN actuaram de forma amadora e negligente. O resultado foi a morte de três dos animais (duas leoas e um tigre) em virtude, muito provavelmente, das doses excessivas de tranquilizantes e do stress provocado pela operação. Os técnicos do ICN (e de outras entidades públicas) utilizaram produtos cuja venda e aplicação é apenas autorizada a veterinários, tendo a operação sido realizada sem a presença de um técnico-veterinário.

 

Igualmente grave, e a exigir uma investigação por parte da Inspecção Geral do Ambiente e da Inspecção Geral das Actividades Económicas, são as alegações de que os animais apreendidos haviam sido adquiridos ao Zoo de Lisboa. Exige-se assim uma inspecção, com carácter de urgência, aos negócios dos inúmeros Zoos e parques temáticos que exibem e comercializam espécies exóticas.

 

Como prova, o proprietário dos animais nos Açores facultou ao jornalista da RTP uma factura do Zoo de Lisboa. Depois de dizer perante as câmaras que o Zoo de Lisboa não vende animais, muito menos a privados, um responsável do Zoo foi confrontado com a dita factura, tendo alegado tratar-se apenas de um "proforma" e negando a transacção. Um dos aspectos que importa realçar e que é conhecido da Quercus é a dificuldade sentida pelos Zoos em dar destino a determinados animais, que depois podem acabar por ser ilegalmente encaminhados para destinos não autorizados.

 

A Direcção Nacional do

Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

Lisboa, 23 de Setembro de 2003

 

Quaisquer esclarecimentos adicionais podem ser prestados por Hélder Spínola, Presidente da Quercus, telemóvel 93-7788472, 96-4344202 e por Luís Galrão, telemóvel 93-7788471.

 

 

 

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