6 anos depois do acidente nuclear de Fukushima no Japão

Quercus alerta para os perigos do nuclear e exige o encerramento da Central de Almaraz, no máximo, em 2020

 

 

web fukushima EPALisboa, 10 de março de 2017 - Passam amanhã seis anos do trágico dia 11 de março de 2011. Nesse dia, o Japão foi atingido por um sismo de magnitude 9,0, seguido de um maremoto (ou tsunami) devastador, que causaram cerca de 18 mil mortos e 300 mil desalojados. Uma das consequências destes desastres naturais foi o grave acidente na Central Nuclear de Fukushima, onde o núcleo de três dos seis reatores em funcionamento entrou em fusão, com a libertação de quantidades significativas de material radioativo.Este foi o maior desastre nuclear desde oacidente nuclear de Chernobil.

 

Nos dias, semanas e meses seguintes ao acidente nuclear, as autoridades transmitiram informações falsas e omitiram dados sobre o que se estava a passar e o governo japonês aumentou a dose máxima permitida de radioatividade para os trabalhadores da central, de 100 milissieverts em cinco anos, para duzentos e cinquenta milissieverts por ano.

           

Passados 6 anos, os efeitos do acidente nuclear ainda se continuam a fazer sentir e os cerca de 6.000 funcionários que trabalham diariamente nas instalações nucleares, tendo em vista a descontaminação e o desmantelamento da central, continuam sujeitos a um enorme perigo, fruto das radiações no local. Ninguém se pode aproximar dos reatores 1, 2 e 3 devido à intensidade das radiações, não existindo nenhuma solução científica a esperar durante pelo menos os próximos 40 anos para este problema.

 

Infelizmente podem ainda existir mais perturbações no futuro: a probabilidade de um novo sismo no local não é nula e os trabalhos de desmantelamento da central podem prolongar-se por 30 ou 40 anos, mas sem uma previsão certa. Para além disto, muitas centenas de milhares de metros cúbicos de água contaminada estão armazenadas em mais de um milhar de cisternas e a cada mês, novas cisternas são instaladas, não existindo também ainda nenhuma solução final segura para este problema.

 

 

Central Nuclear de Almaraz – o perigo bem perto de nós

 

Após o último grave acidente nuclear em Fukoshima, no Japão, o Grupo de Reguladores de Segurança Nuclear Europeu levou a cabo um conjunto de testes de stress (stress tests), por forma a averiguar a segurança das centrais nucleares na Europa. Em Portugal, como não existem centrais nucleares, não se realizaram estes “stress tests”, no entanto, a preocupação da Quercus relativamente a esta questão mantem-se pois a Central Nuclear de Almaraz, localizada a 100km da fronteira e junto ao rio Tejo, continua a revelar-se como um potencial perigo para toda a região transfronteiriça. Com efeito esta central já ultrapassou o seu período normal de funcionamento e, não obstante, viu prolongado em 10 anos o seu período de atividade até 2020. Agora, que se caminha rapidamente para o final do prazo da licença de exploração, vai-se confirmando o interesse do consórcio de empresas que explora a Central em prolongar ainda mais o funcionamento da Central de Almaraz, por 10 ou 20 anos, o que é inaceitável. Almaraz, por todos os riscos que comporta, deve encerrar no máximo em 2020 e até lá deve ser colocado em marcha um plano de encerramento faseado e anunciado de que forma será feito o desmantelamento desta Central.

 

De uma forma geral, a Quercus considera que há um risco preocupante com as centrais nucleares espanholas na medida em que estas são centrais envelhecidas e nem todos os fatores de risco foram considerados nos testes de stress efetuados. Com efeito, não estão contemplados nestes testes os riscos de agressões externas (atentados, quedas de aeronaves, etc.) nem são considerados os riscos em caso de acidentes naturais (sismos, inundações, etc) e nos sistemas externos de gestão de socorro às centrais nucleares (bombeiros, guarda civil, etc).

 

A título de exemplo, o risco sísmico no “stress test” à central de Almaraz efetuado pelas autoridades espanholas está claramente subavaliado e só foi analisada a resistência sísmica para sismos equivalentes aos que ocorreram entre 1970 e a atualidade. Pelo contrário, não foi analisada a possibilidade de ocorrerem sismos com uma grande magnitude, que atinjam com uma intensidade significativa a Central, como foi o caso do sismo de 1755, ou do que teve o epicentro em Espanha em 1954, com magnitude de 7,9.

 

A Quercus considera que devia ser avaliada a possibilidade de poder vir a ocorrer um sismo que afete a barragem donde provêm a água para o arrefecimento da Central de Nuclear (Barragem de Arrocampo) e com isso um acidente que teria consequências desastrosas. É importante recordar que caso não exista água suficiente para o arrefecimento dos reatores da Central poderá acontecer um problema idêntico ao que aconteceu em Fukoshima, onde o sistema de arrefecimento falhou e conduziu ao lamentável desastre. À semelhança do que tem vindo a fazer há vários anos, a Quercus alerta mais uma vez para o facto de que a ocorrer um acidente de grandes dimensões em Almaraz este poderia resultar em contaminação radioativa direta que atingiria Portugal, quer por via atmosférica, quer através do rio Tejo.

 

 

Nuclear - Um ciclo impactante e demasiado arriscado

 

Neste fatídico aniversário, a Quercus alerta mais uma vez que o nuclear não é seguro, causa inúmeros problemas desde a mineração do urânio, durante o funcionamento dos reatores atómicos em funcionamento nas centrais como Fukushima, até ao final do seu ciclo, com a gestão de resíduos que têm de ser mantidos durante milhares de anos e para os quais não existe uma solução segura e sustentável.

           

A opção pela fissão nuclear é contrária ao princípio da precaução e põe em causa a norma ética da equidade transgeracional. À luz dos atuais conhecimentos a fissão nuclear não é uma solução energética aceitável, do ponto de vista dos seus impactes no ambiente e na saúde humana.

 

 

Debate sobre Nuclear e Almaraz - dia 11 de Março em Portalegre

 

De forma a assinalar o 6º Aniversário do acidente nuclear de Fukushima, amanhã, dia 11 de Março, a Quercus, a Associação portuguesa que mais de perto tem seguido a questão de Almaraz ao longo dos últimos anos, vai organizar em Portalegre um debate sobre o tema da Energia Nuclear e dos seus impactes ambientais. Entre os pontos principais da sessão de dia 11 decorrerá uma apresentação sobre a Central Nuclear de Almaraz e um debate que se vai focar nos impactes desta Central Nuclear em Portugal, e em especial nas regiões situadas junto à fronteira, como é o caso de Portalegre.

 

Mais informações e programa em: http://www.quercus.pt/destaques/196-eventos-1/5178-vamos-debater-almaraz

 

A Direção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

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