Sines na lista das refinarias europeias capazes de processar crude a partir de areias betuminosas

Um estudo divulgado pela Federação Europeia para os Transportes e Ambiente (T&E) e Amigos da Terra – Europa (FoEE) [1] mostra que a refinaria de Sines é uma das 71 refinarias europeias com capacidade para processar crude obtido a partir de areias betuminosas.

 

Mais de metade das refinarias da Europa estão preparadas para processar crude pesado e/ou pré-processado (leve) obtido a partir de areias betuminosas, uma forma de petróleo não convencional cuja extração implica impactos ambientais muito significativos, sobretudo climáticos.

 

As refinarias de Sines e de Leixões, ambas geridas pela empresa Galp Energia, são referenciadas neste estudo, elaborado pela consultora da área petrolífera MathPro Inc. Sines apresenta capacidade para processar crude pré-processado (leve) obtido a partir de areias betuminosas e um elevado risco de receber carregamentos por via marítima, dada a sua posição estratégica. Já Leixões não apresenta capacidade para processar crudes desta natureza e a capacidade de receber carregamentos por via marítima não foi possível confirmar.

 

Um mapa interativo [2] identifica e localiza geograficamente as refinarias por toda a Europa, incluindo as nacionais:  

 

mapa interativo refinaria

 

A extração e refinação de areias betuminosas emite entre 3 a 4 vezes mais gases com efeito de estufa responsáveis pelo aquecimento global do que o petróleo bruto convencional [3].

 

O mapa interativo e o estudo agora divulgados demonstram a necessidade de intensificar os esforços para manter as areias betuminosas fora da Europa, a fim de cumprir o objetivo assumido internacionalmente de limitar o aquecimento global abaixo de 2°C e assegurar a transição para um sistema energético baseado na eficiência energética e energias renováveis.

 

Já no início do mês de novembro, a rejeição do oleoduto Keystone XL nos Estados Unidos da América, pelo Presidente Barack Obama, enviou um sinal claro de que as areias betuminosas não devem fazer parte da matriz energética [4].

 

No entanto, é evidente, por este estudo, que a Europa tem capacidade de processar estes combustíveis fósseis de grande impacto climático, continuando a União Europeia a não fazer nada para impedi-los de entrar no espaço europeu. Já em 2014, um estudo elaborado pelo Natural Resources Defence Council mostrava que a importação sem restrições de areias betuminosas para a Europa teria um impacto climático equivalente às emissões de 6 milhões de veículos adicionais na estrada [5].

 

Relembre-se ainda que o primeiro carregamento de crude obtido a partir de areias betuminosas do Canadá para a Europa chegou a Bilbao, em Espanha, em junho de 2014 [6]. As propostas iniciais da Comissão Europeia para implementar a Diretiva sobre a Qualidade dos Combustíveis teriam desencorajado o uso de combustíveis fósseis com alto teor de carbono no setor dos transportes. Contudo, os textos finais não conseguiram alcançar este objetivo.

 

As refinarias europeias têm ignorado esta verdade inconveniente e continuam a investir em tecnologias de refinação de combustíveis de grande impacto climático, com a agravante dos consumidores não serem informados da sua carga poluente.

 

Para a Quercus e outras associações de defesa do ambiente, as areias betuminosas e outros combustíveis fósseis não convencionais, muito poluentes, devem permanecer no subsolo, por forma a evitar as consequências das alterações climáticas, e os investimentos deverão sim ser redirecionados para fontes de energia limpas e renováveis.

 

Lisboa, 23 de Dezembro de 2015

 

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 


Notas:

 

[1] Estudo completo: “Assessment of the European refining sector’s capability to process unconventional, heavy crude oils”, MathPro Inc: http://www.transportenvironment.org/sites/te/files/FoEE_TE_03_Final_Project_Report_091015.pdf

[2] Mapa das refinarias europeias produzido pela Federação Europeia para os Transportes e Ambiente e pela Amigos da Terra – Europa: http://www.transportenvironment.org/refineriesmap

[3] http://www.nrdc.org/energy/files/keystonexlmyths.pdf

[4] Notícia sobre a rejeição do oleoduto Keystone XL por Barack Obama: http://www.foeeurope.org/US-President-rejects-KeystoneXL-061115

[5] Estudo NRDC (2014): http://www.transportenvironment.org/publications/nrdc-report-increased-tar-sands-imports-europe

[6] Notícia sobre a chegada de um carregamento de crude obtido a partir de areias betuminosas a Bilbao: http://www.theguardian.com/environment/2014/jun/06/first-tar-sands-oil-shipment-arrives-in-europe-amid-protests

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