Quercus preocupada com extração industrial de madeira na Bacia do Congo

França anfitriã das negociações da Cimeira de Paris, enquanto investe milhões para exploração de florestas tropicais

 

 

No mesmo momento que os “decisores mundiais” efectuam conversações sobre um acordo global na Cimeira do Clima, em Paris, para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, a Global Witness revela que a Agência Francesa de Desenvolvimento (FDA) já investiu mais de 120 milhões de euros em empresas madeireiras que estão a destruir a segunda maior floresta tropical do mundo.

 

"Na COP21, a Agência Francesa de Desenvolvimento está-se a promover como um dos principais investidores em projetos favoráveis ​​ao clima, incluindo a protecção das florestas", disse Alexandra Pardal, da Global Witness. (1) "Mas as nossas investigações mostram que nos últimos 20 anos, tem investido milhões para apoiar a indústria madeireira da Bacia do Congo, que está ligada à destruição da floresta, à exploração madeireira ilegal, à evasão fiscal è à cumplicidade com a violência contra as populações locais."

 

A Quercus partilha a preocupação apresentada no comunicado emitido ontem por organizações não-governamentais e cientistas - incluindo a Global Witness, a Greenpeace, a Rainforest Foundation UK, a OCEAN RDC e a Brainforest Gabão – que estão a pedir à França para acabar com o seu apoio à extração industrial de madeira na Bacia do Congo, reconhecendo que quase 12% das emissões de gases com efeito de estufa provêm da destruição da floresta.

 

Um relatório da Global Witness em 2015 mostrou que a FDA tinha apoiado as empresas madeireiras que violaram salvaguardas ambientais e sociais e ajudaram a financiar o conflito sangrento da República Centro-Africana por lidarem com grupos armados acusados ​​de assassinato em massa. (2) Em 2014 uma auditoria financiada pela União Europeia mostrou que nenhuma empresa madeireira a operar nos Camarões poderá ser considerada legal. (3) Na República Democrática do Congo, 90% dos impostos florestais não conseguiram chegar aos cofres públicos em 2012 devido à evasão fiscal por empresas madeireiras. (4)

 

A FDA - Agência Francesa de Desenvolvimento, justifica as suas doações e empréstimos a empresas madeireiras em grande escala, alegando que eles são usados ​​para o suporte técnico para ajudar a minimizar o impacte ambiental da exploração madeireira e para o desenvolvimento económico dos países rico em florestas, mas pobres em termos financeiros.

 

"Se nós formos sérios sobre como salvar a segunda maior floresta tropical do mundo, então não devemos confiar em empresas madeireiras industriais", disse Alexandra Pardal. O próprio relatório de avaliação da Agência Francesa de Desenvolvimento mostra que os seus investimentos têm tido benefícios de desenvolvimento negligenciáveis ​​na Bacia do Congo e não pode garantir que a exploração madeireira é ambientalmente sustentável." (5)

 

As empresas madeireiras europeias têm sido ativas na Bacia do Congo desde a era colonial. Madeireiros industriais agora controlam 44 milhões de hectares de florestas na África Central - cerca de um quarto da floresta tropical total.

 

"É ridículo sugerir que a exploração da floresta tropical pode ser respeitadora do ambiente. Qualquer árvore que é derrubada arrasta outras oito consigo. Uma vez cortada, a floresta primária leva entre seis e oito séculos para recuperar ", disse Alexandra Pardal. "A política de investimento da Agência Francesa de Desenvolvimento é claramente adaptada para os próprios interesses económicos da França - que está a falhar em África e a minar as próprias metas climáticas da França. Se estamos à espera que a França lidere a COP 21 com seriedade, o governo deve comprometer-se a desinvestir na exploração madeireira industrial, um negócio que está em desacordo absoluto com um clima saudável e um futuro sustentável ".

 

 

 

Lisboa, 9 de Dezembro de 2015

 

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

Notas aos editores:

(1) Em 2014, a FDA prometeu 2366 milhões de euros para a mitigação das mudanças climáticas, incluindo projetos de energia e de protecção das florestas renováveis. (Agence Française de Développement, reconciliando Clima e Desenvolvimento, em Novembro de 2015).

(2) "Madeira Sangrenta: Como a Europa ajudou a financiar a guerra na República Centro-Africana," Global Witness, Julho de 2015.

(3) Avaliação de documentos de conformidade envolvidos no processo de atribuição de cada licença florestal em vigor nos Camarões, EGIS BDPA-OREADE BRECHE-2014.

(4) "A venda a preço reduzido de florestas da RDC", Global Witness, Outubro de 2013.

(5) Setor Florestal da Bacia do Congo: 20 anos de Intervenção AFD, Samyn JM et al, Agência Francesa de Desenvolvimento de 2011.

 

 

 

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