Quercus analisa os 15 anos da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto

 

MontejuntoComemorou-se no passado dia 22 de julhoo 15º aniversário da criação da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto. A Quercus fez uma retrospetiva do que foi feito de positivo e negativo nesta Área Protegida e traçou cenários com base na definição de ameaças e na identificação de oportunidades.

A Serra de Montejunto ocupa cerca de 4897 hectares dos concelhos de Alenquer e Cadaval e foi classificada em 1999 como Paisagem Protegida de âmbito regional, sendo que a sua gestão é partilhada entre os dois municípios e o ICNF. A criação da área protegida teve como objectivos principais conservar e valorizar a paisagem e o património natural, tendo como pressuposto o desenvolvimento sustentável e a promoção do turismo em equilíbrio com os valores naturais salvaguardados. A serra de Montejunto ergue-se abruptamente entre o litoral e o vale do Tejo, demarca-se da paisagem envolvente, não só pela altitude que atinge mas também pelas características naturais que apresenta, destacando-se as comunidades vegetais dos habitats calcários, os tojais e tomilhais e os carvalhais de carvalho-cerquinho. Encontra-se nesta serra uma grande diversidade florística, tendo sido já identificadas aproximadamente 400 espécies de plantas, o que constitui cerca de 15 % da flora de Portugal continental, existindo alguns endemismos nacionais com interesse do ponto de vista da conservação. Na Paisagem Protegida nidificam cerca de 75 espécies de aves, como a Águia-de-Bonelli, o Bufo-real e o Andorinhão-real, que são espécies consideradas raras a nível nacional. Este local é, igualmente, relevante para a conservação de morcegos cavernícolas, como o morcego-de-peluche.


Devido às suas características, a Paisagem Protegida da Serra de Montejunto está na sua totalidade inserida na Rede Natura 2000, através da criação do Sítio “Serra de Montejunto”. Salienta-se, ainda, a importância do património histórico-cultural destacando-se a presença do primeiro convento dominicano em Portugal, datado do séc. XII, e da Real Fábrica do Gelo classificada como monumento nacional.


A intensificação da agricultura com o recurso a substâncias químicas, o abandono da cultura de cereais, a monocultura de espécies exóticas como o eucalipto, o incremento dos pomares de macieiras e pereira e o crescimento das vinhas, e a extracção de inertes, com a implantação de pedreiras, têm provocado uma contínua perda de habitat. Esta área é ainda afectada por vários factores de ameaça como os recorrentes incêndios, a instalação desordenada de antenas de telecomunicações, a construção de infra-estruturas, a abertura de caminhos e a circulação de viaturas fora dos caminhos estabelecidos, e a utilização deste local para a prática ilegal de desportos de natureza, como a escalada e o rappel.


Neste contexto, a Quercus vem realçar que são necessárias medidas de gestão apropriadas para esta área protegida de modo a alcançar os objectivos propostos aquando da sua criação. Deste modo, na área de maior altitude a gestão deverá ser direcionada para a promoção dos habitats calcários, para a recuperação dos povoamentos florestais autóctones, aproveitando-se a regeneração natural e, na zona de menor altitude é fundamental a manutenção e promoção do moisaico agrícola diversificado, assente em sistemas agrícolas extensivos. É necessário apostar na recuperação e promoção das áreas de mato mediterrânico, na recuperação do carvalhal e interditar a florestação com espécies de crescimento rápido. A Quercus considera ainda importante que se repense o modelo de gestão existente, já que é totalmente inoperante, não possui quaisquer recursos financeiros e humanos e pouco ou nada tem contribuído para a conservação activa dos habitats e das espécies e para reprimir as pressões no sentido da degradação. A promoção do turismo de natureza, com a implementação de novas rotas e de percursos pedestres devidamente identificados e delimitados, que incluam a visitação do património histórico-cultural, bem como a indispensável monitorização e vigilância da Serra de Montejunto em períodos de elevado risco de incêndio, associadas à tomada de medidas preventivas, como o controle selectivo da vegetação arbustiva e a promoção do pastoreio extensivo, estão entre as acções necessárias.


É também necessário interditar a implantação de parques eólicos e de linhas de transporte de energia, de modo a não comprometer irreversivelmente a paisagem e não afectar a avifauna e as populações de morcegos.


Para avaliar a Área Protegida foi elaborado um quadro, que é colocado em baixo, com base numa análise que apresenta o diagnóstico (Forças e Fraquezas) e o prognóstico (Oportunidades e Ameaças).

 

 

tabela montejunto

 

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