Conservação da Natureza e efeitos colaterais

Não é difícil perceber que a conservação da natureza nunca foi uma prioridade em Portugal. Recorrentemente subfinanciada e frequentemente entendida como a componente a sacrificar para alimentar uma determinada noção de “desenvolvimento” que continua a perdurar nos meios políticos e económicos, a conservação da natureza tem sido sempre o parente pobre das políticas públicas.

 

Susana Fonseca*

 

A análise do mais recente relatório relativo à implementação da Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade indica isso mesmo, com uma larga percentagem das medidas propostas ainda por implementar ou apenas parcialmente implementadas.

 

É um facto que o desrespeito pela conservação da natureza tem sido um efeito colateral de muitas políticas e projectos por toda a Europa comunitária. Não obstante o objectivo definido pela UE de parar com a perda da biodiversidade no seu espaço, tal não foi alcançado e o papel contraproducente que os fundos comunitários têm tido na destruição dos valores naturais que a UE se propôs preservar, deveria ser razão suficiente para um profundo debate sobre a coerência das políticas públicas da UE.

 

Contudo, este contexto não nos desculpa nem nos deve deixar descansados por não estarmos orgulhosamente sós na desconsideração pela conservação da natureza. É sabido que a Península Ibérica, muito embora abranja apenas cerca de 6% do território da Europa Ocidental, alberga cerca de 50% da fauna e flora da Europa e uma alta taxa de endemismos. Tal facto deveria ser um orgulho nacional e um incentivo à preservação desta riqueza natural. Infelizmente tem sido frequentemente ignorado ou apresentado como passível de compensação. Aliás, a avaliar pela recente publicidade da EDP, em alguns sectores parece haver a ideia que é desenvolvendo projectos com alto impacte ambiental que se protege a natureza. 

 

Mas ao mesmo tempo que diversos indicadores apontam no sentido negativo, também há alguns que vão no sentido contrário. As acções da sociedade civil dirigidas especificamente à conservação da natureza têm vindo a aumentar, sendo o caso das micro-reservas da Quercus um bom exemplo disso. Para todos aqueles que querem dar um contributo para a preservação deste recurso fundamental existem regulamente actividades, anunciadas na página da Quercus, que procuram voluntários. No próximo dia 27 decorrerá o censo do cágado da carapaça estriada no Monte Barata, uma propriedade da Quercus localizada no Parque Nacional do Tejo Internacional. Pode ser uma boa oportunidade para dar um contributo. 

 

 

Se estiver disponível contacte-nos!

 

 

  • Presidente da Direcção Nacional da Quercus

 

 

 

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