Quercus na praia das Moitas em Cascais (praia com qualidade de ouro)

Praias 2008: 200 praias com qualidade de ouro; Qualidade da água nas zonas balneares PIOROU em 2007; Portugal atrasa-se na transposição da nova Directiva

 

No início da época balnear que terá lugar no próximo domingo, 1 de Junho, e tal como todos os anos tem sido efectuado, a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza recorre à informação pública oficial disponibilizada pelo Instituto da Água incluindo o Relatório sobre a Qualidade das Águas Balneares para avaliar o estado das zonas balneares.

 

Mais oito praias com má qualidade em 2007 por comparação com 2006; fracção de praias com boa qualidade reduziu-se em 5,7%; degradação de qualidade foi pior nas praias costeiras / transição que nas interiores

 

Em Portugal, de acordo com os dados disponibilizados pelo Instituto da Água, existiam no ano de 2007, classificadas como zonas balneares, 508 praias / zonas balneares (422 costeiras e 86 interiores).

 

O quadro (ver comunicado completo, no ficheiro em anexo) mostra que houve um aumento da não conformidade das praias costeiras e/ou de transição, sendo que em termos de praias interditas o maior aumento ocorreu nas praias interiores.

 

22 praias tiveram má qualidade em 2007 (mais 8 que em 2006); 11 praias estiveram interditas durante parte ou a totalidade da época balnear e 7 foram mesmo classificadas como interditas. 

 

Em 508 zonas balneares de Portugal, excluindo as classificadas como interditas, 6,5% das praias (mais exactamente 33) tiveram pelo menos uma análise má em 2007 (o que não implica necessariamente que a qualidade final seja má – depende da percentagem em relação ao total das análises efectuadas).

 

(ver tabelas no comunicado completo, no ficheiro em anexo)

 

A listagem de praias que apresentaram má qualidade em 2007 e/ou estiveram interditas é a seguinte:

 

(para a listagem, ver comunicado completo, no ficheiro em anexo)

 

(as praias indicadas poderão ser frequentadas esta época balnear salvo se houver alguma decisão sobre a sua interdição; esta classificação é uma indicação que não significa no entanto que este ano venham a apresentar problemas de qualidade da água)

 

De acordo com a informação do Instituto da Água, Portugal apresentou à Comissão Europeia um pedido de derrogação de análises más em três praias interiores (Rio Douro – Congida, Rio Coura – Taboão e Rio Cávado – Verim), uma análise em cada praia, por condições meteorológicas desfavoráveis, permitindo às duas primeiras não ter a classificação final de má.

 

Em 2008 a época balnear começa com mais 11 praias (6 interiores e 5 costeiras/transição).

 

A Quercus, bem como o próprio relatório do Instituto da Água, considera que continua a existir uma vulnerabilidade à poluição, nomeadamente as falhas no saneamento básico e os problemas de gestão da bacia hidrográfica, que estarão na origem das análises más, sendo que em muitos dos casos não foi possível identificar uma causa evidente.

 

Há novas regras relativas nomeadamente à qualidade da água das praias, estabelecidas pela Directiva 2006/7/CE de 15 de Fevereiro de 2006 relativa à gestão da qualidade das águas balneares. Infelizmente esta Directiva deveria ter sido transposta até 30 de Março de 2008 e tal ainda não aconteceu.

 

Quercus identifica 200 praias com qualidade de ouro em Portugal – mais quatro que no ano anterior, mas nenhuma é praia interior

 

A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza resolveu seleccionar todas as praias que em Portugal têm tido nos últimos cinco anos (2003 a 2007) sempre qualidade de água classificada como boa e que na época balnear de 2007 tiveram sempre análises boas. Esta avaliação efectuada pela Quercus é muito mais limitada em comparação com a atribuição da Bandeira Azul porque apenas se baseia na qualidade da água das praias, apesar de ser mais exigente neste aspecto. A classificação geral das praias em termos de qualidade da água é disponibilizada pelo Instituto da Água ao abrigo da legislação nacional e comunitária.

 

O objectivo da Quercus é realçar as garantias de praias que ao longo de vários anos (cinco, neste caso), sistematicamente apresentam boa qualidade, e que portanto, em nosso entender, apresentam uma maior fiabilidade no que respeita à boa qualidade da sua água, confirmando ainda a sua excelência na última época balnear (dados consultados através do site snirh.inag.pt). Ficam de fora desta lista as zonas balneares com menos de cinco anos e aquelas que só mais recentemente viram resolvidos os seus problemas de poluição, ou onde se tenha verificado na última época balnear análises aceitáveis ou más.

 

Podem estar incluídas nesta listagem praias onde algumas análises ao longo dos cinco anos tenham sido objecto de derrogação por diversas circunstâncias, em particular condições meteorológicas adversas, mas cuja justificação tenha sido aceite no quadro da legislação vigente.

 

Em comparação com 2007 há mais 4 praias com qualidade de ouro, num total de 200 das 508 zonas balneares.

 

O concelho com maior número de praias com qualidade da água de ouro é Albufeira (com 17 zonas balneares), seguido de Vila Nova de Gaia (11 zonas balneares), Grândola e Vila do Bispo (9 zonas balneares). Os dados detalhados são apresentados a seguir.

 

(para a listagem, ver comunicado completo, no ficheiro em anexo)

 

Conheça os dez mandamentos da Quercus para quem queira gozar as praias este Verão.

 

1. Verifique se na praia que vai frequentar é realizado o controlo de qualidade da água balnear

 

Em Portugal, existem diversas praias que não estão classificadas como zonas balneares e nessas não se deve tomar banho. Uma praia não classificada é uma praia onde a água balnear não é monitorizada ou onde a água não apresenta qualidade. Esta classificação é revista anualmente pelo Ministério do Ambiente podendo ser designadas mais praias como zonas balneares. O utilizador pode informar-se através de placas que deverão estar colocadas na praia em locais visíveis ou através da internet em snirh.inag.pt.

 

2. Certifique-se de que a qualidade da água da sua praia é aceitável ou, preferencialmente, boa.

 

Nas zonas balneares há a obrigação de publicitar as últimas análises realizadas à água. Em geral, a frequência das análises é quinzenal, podendo haver casos em que ela é mais diminuta (mensal), ou então maior (semanal). Entre a data da colheita e a data da publicação da análise na praia não se deve ultrapassar mais de quinze dias. Assim, apesar de ser normal não encontrar uma análise de um dia muito recente, não deve encontrar resultados com um atraso superior a um mês. As análises são classificadas como más, aceitáveis e boas, sendo que as duas últimas classificações são compatíveis com a sua utilização para banhos, embora uma análise de qualidade boa seja obviamente preferível. Podem-se conhecer as últimas análises através da Internet nos sites já mencionados, mas é uma obrigação a sua afixação nas praias. Podem acontecer situações excepcionais de poluição visível em que a praia não apresente qualidade e não existam dados actualizados de análise e nesse caso não deve tomar banho.

 

3. Escolha uma das Praias com Qualidade de Ouro da Quercus

 

A Quercus elegeu o conjunto de praias que nos últimos 5 anos apresentaram uma qualidade da água Boa, como as Praias com Qualidade de Ouro. A existência de Bandeira Azul também é um critério de qualidade que deve ser tomado em conta e que vai para além da qualidade da água. Existem já casos de praias cuja gestão e exploração estão certificadas por normas de qualidade, sendo este também caminho defendido pela Quercus pelo rigor que tais critérios impõem em termos de acompanhamento.

 

4. Verifique os meios de segurança e as infraestruturas.

 

Ao utilizar uma praia deve verificar-se a permanência de um nadador-salvador, a delimitação da área para banhos, a existência de um posto de primeiros-socorros, a possibilidade de acesso rápido de uma ambulância. Em termos de infraestruturas devem-se avaliar aspectos como a presença de casas de banho em número suficiente, duches, bebedouro e parque de estacionamento. Os utentes da praia devem respeitar a sinalização através das bandeiras hasteadas.

 

5. Verifique e contribua para a limpeza do areal. Exija a ausência de cães.

 

Verifique se a areia do local onde vai permanecer se encontra devidamente limpa e contribua para essa limpeza, não deixando nem enterrando quaisquer detritos. Colabore na limpeza da praia: utilize sempre os recipientes do lixo ou, na falta destes, guarde e transporte consigo o lixo, deitando-o posteriormente em local próprio. Se encontrar vidro ou outro tipo de lixo espalhado sobre a areia, não o ignore. Apanhe-o e coloque-o no recipiente do lixo mais próximo. Nalgumas praias a recolha selectiva é já uma realidade, podendo assim separar vidro, papel e cartão, embalagens e o restante lixo.

 

Utilize sempre uma toalha para se deitar na areia. Na praia prefira chinelos de material lavável e não os empreste a ninguém, inclusive seus familiares. Assim, prevenirá a eventual transmissão de uma doença de pele. Vigie os seus filhos mais pequenos, não permitindo que metam os dedos na boca quando brincam com a areia. Se surgirem quaisquer alterações na sua pele, nos olhos, ouvidos ou garganta consulte rapidamente o médico.

 

Nunca traga animais para a praia! Para além de serem geralmente um incómodo, podem ser portadores de microrganismos prejudiciais à saúde humana e originarem a contaminação do areal.

 

6. Evite permanecer na praia nas horas de maior calor e evitar uma exposição excessiva ao sol.

 

Evite permanecer na praia nas horas de maior calor e não se exponha exageradamente ao sol, especialmente se a sua pele for clara. O período em que não se deve expor ao sol é aproximadamente entre as 11 e as 16 horas, sendo que o Instituto de Meteorologia publica diariamente uma previsão da altura em que a radiação solar é mais forte e pode ser mais perigosa (http://www.meteo.pt/pt/previsao/uv/prev_uv_d0.jsp). Uma queimadura solar para além de incómoda, constitui uma agressão altamente prejudicial que deve sempre evitar. Utilize protectores solares mas, sobretudo, não permaneça imóvel sob um sol forte. Tenha particular atenção às crianças pequenas. Elas são mais sensíveis ao sol. Insista sempre no uso de chapéus e deixe-as andar de cabelo solto, pois isso constitui uma protecção suplementar da face e dos ombros.

 

7. Evite fazer ruído.

 

A praia é acima de tudo um local onde temos a oportunidade de descansar e recuperar forças. O ruído é assim um factor de stress e de perturbação. A presença de aparelhagens com som demasiado elevado ou uma grande frequência de barcos e principalmente motas de água, prejudica a qualidade da praia.

 

8. Proteja as dunas e as falésias das praias costeiras e a vegetação nas praias fluviais.

 

A protecção do cordão dunar é essencial para que o mar não avance e a praia não desapareça. Esta realidade, que infelizmente já é corrente em algumas zonas do país, pode ser evitada, não pisando a vegetação mais sensível, particularmente a que está mais próxima da água na chamada duna primária, mas também evitando o pisoteio das restantes dunas. Também a vegetação das falésias deve ser evitada, sendo que algumas podem apresentar o perigo de derrocada. As praias fluviais são em geral locais muito aprazíveis onde ser deve evitar destruir a vegetação envolvente.

 

9. Vá de transportes menos poluentes até à zona balnear; deixe o carro em casa.

 

Ir a pé, de bicicleta ou de transporte público, ajuda o ambiente evitando o ruído e a poluição do ar provocada pelo automóvel. Além disso, pode ser uma excelente oportunidade para um passeio agradável. Experimente e evite o congestionamento dos acessos e dos parques de estacionamento. Pode inclusive encontrar praias e lugares menos ocupados e um maior contacto com a natureza.

 

10. Denuncie o que não estiver bem.

 

Melhorar a qualidade das praias em Portugal passa por denunciar as situações de falta de infraestruturas, má qualidade da água, problemas de limpeza do areal, falta de informação ao utente, falta de vigilância e/ou segurança. O problema é sempre saber a quem dirigir as queixas de forma a que sejam ouvidas, dado o elevado número de entidades aparentemente responsáveis, mas que afirmam sempre que o erro em causa recai sobre outra entidade.

 

Deixamos ainda identificadas as responsabilidades de gestão das zonas balneares para onde podem e devem ser direccionadas eventuais queixas:

 

Nas praias costeiras a concessão do areal é da responsabilidade das Administrações Portuárias ou das Capitanias; a atribuição das concessões dos apoios de praia é da responsabilidade das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR); a vigilância é da responsabilidade dos concessionários ou das autarquias, fiscalizados pelas Capitanias.

 

Nas praias com Bandeira Azul, um símbolo de qualidade ambiental atribuído às praias que cumpram um conjunto critérios, a fiscalização compete à Associação Bandeira Azul da Europa (www.abae.pt). Nas praias fluviais, a atribuição das concessões é das CCDR; as autarquias em geral têm funções importantes na limpeza e no acompanhamento das praias.

 

Se tiver acesso à internet utilize a página do Instituto da Água (snirh.inag.pt). Se necessário, recorra também à Quercus pelo correio electrónico Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.">Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. ou pelo telefone 21-7788474.

 

 

Lisboa, 30 de Maio de 2007

 

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

 

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