Nova micro-reserva biológica | A Quercus e a Herdade do Freixo do Meio asinaram um protocolo de colaboração

A Quercus e a herdade do Freixo do Meio assinaram um protocolo de colaboração com vista à gestão de um carvalhal que fica agora integrado na nossa rede de micro-reservas biológicas.

 

A Herdado do Freixo do Meio 

 

A herdade do Freixo do Meio é uma propriedade com cerca de 1900 ha situada no concelho de Montemor-o-Novo quase toda ocupada por montado de sobro e azinho onde se faz uma exploração agro-silvo-pastoril sustentável, com base no Modo de Produção Biológico. É feita também a transformação da carne e vegetais produzidos na herdade além da exploração, de forma multifuncional, de outras vertentes deste sistema - a cortiça, madeira, azeitona, azeite, lãs, ovelhas, cabras, vacas, porcos e perus, 4ªgama de vegetais, todos os cortes, transformados e fumados de carne, massa de pimentão, pinhões, medronhos, cogumelos, espargos, etc. bem como uma série de serviços, visitas e workshops dedicados às actividades rurais, sustentabilidade e biodiversidade. 

 

Todas estas actividades possibilitam uma exploração multifuncional do montado com carácter extensivo, como é desejável para a sua correcta manutenção e gestão, favorecendo assim a elevada biodiversidade típica deste sistema bem como a manutenção da estrutura social a ela associada num território com solo e clima adversos.

 

A micro-reserva da Barranca da Loba

 

Num dos extremos desta herdade em plena zona agrícola surge, associado a um pequeno barranco bastante encaixado, afluente do rio Almansor, uma formação arbórea, o Carvalhal da Barranca da Loba. Este cercal  (carvalhal de carvalho-cerquinho ou português Quercus faginea subsp. broteroi), constitui um habitat protegido pela Directiva Habitats (Habitat 9240), possui algumas árvores de elevado porte e idade  e constitui abrigo e corredor de comunicação para muitas espécies de fauna. Aqui todos os grupos estão presentes, desde inúmeros invertebrados aos corpulentos javalis, passando pelo grande grupo das aves (da águia-de-asa-redonda ao chapim-azul passando por inúmeros outros passeriformes) e pelos menos visíveis répteis e anfíbios. Neste caso concreto do Carvalhal da Barranca da Loba, estamos perante um bosque que constitui uma relíquia do que foram os bosques primitivos que cobriram, num passado não muito distante, grande parte do nosso país.

 

  Possui ainda uma vegetação associada bastante rica e característica destes cercais, na sua vertente mais calcária e alcalina, onde predominam arbustos como a aroeira, o lentisco, o folhado, o medronheiro e uma série de lianas como a salsaparrilha-bastarda ou a hera.

 

  Os prados deste cercal contêm um número elevado de orquidáceas, dos géneros Ophrys, Orquis e Serapias – conferindo-lhes um interesse florístico acrescido podendo também observar-se o jacinto-dos-campos, a rosa-albardeira ou o  capuz-de-frade.

 

  Um aspecto que condiciona a gestão e conservação deste habitat prende-se com o seu carácter reliquial tendo sofrido a pressão das actividades agrícolas que têm lugar em toda a sua envolvente e que nalgumas áreas decorreram inclusive no subcoberto deste bosque durante alguns anos.

 

  Nesta fase as medidas de gestão com vista à conservação dos 6 hectares desta micro-reserva passam pela criação de uma faixa sem cultivos em todo o redor do bosque de modo a permitir o seu alargamento, evitar o uso de agroquimicos na sua orla, não permitir o acesso de gado e controle de silvados que estão a invadir algumas áreas. Se necessário será facilitada a regeneração na orla recorrendo a plantação e ou sementeira a partir de sementes do próprio bosque. Ao mesmo tempo far-se-à a manutenção de um trilho que percorre toda a micro-reserva e permite a visita e conhecimento da flora e fauna aí existente. As medidas de gestão serão tomadas em conjunto entre a entidade proprietária do terreno e a Quercus no âmbito do protocolo de colaboração assinado com vista à gestão deste espaço natural.

 

Adesão ao conceito de Condomínio da Terra 

 

A Herdade do Freixo do Meio aderiu também aos princípios do “Condomínio da Terra”, com o qual propomos uma nova forma de organizar a vizinhança global que possa marcar um ponto de viragem neste grande desafio da crise global do ambiente, que as alterações climáticas vieram tornar mais visíveis. Tornar-se um “Condómino da Terra” não significa qualquer forma de certificação ambiental, nem uma garantia de que o uso que o condómino faz dos bens comuns é inteiramente compensado, ou que a sua pegada ecológica ou o seu saldo ambiental sejam positivos, significa tão só o reconhecimento que o condómino faz da sua condição de dependência dos bens ambientais inevitavelmente comuns (Atmosfera, Hidrosfera e Biodiversidade) e que ele, como todos os outros condóminos, os pode afectar de forma positiva ou negativa. Significa que iniciou o seu processo de consciencialização, redução e compensação. Neste sentido a herdade do Freixo do Meio constitui-se como uma fracção do grande Condomínio da Terra onde se pretende fazer uma gestão sustentada desses bens comuns.  

 

 

Lisboa, 8 de Maio de 2008

 

 

 

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