O Estado da Conservação da Natureza

O território português está inserido em três regiões biogeográficas: Atlântica, Mediterrânica e Macarronésica. Nestas regiões foram definidos sítios de importância comunitária (SIC) e zonas de protecção especial (ZPE), integrados na Rede Natura 2000, com o propósito de salvaguardar os habitats e espécies listadas nas Directivas Comunitárias Habitats e Aves.

 

Hélder Spínola*

 

 

Para estas três regiões biogeográficas surgem alguns indicadores preocupantes que constam dos relatórios de implementação da Directiva Habitats que em grande medida resultam da falta de investimento e empenho na protecção dos nossos valores biológicos. A maior parte dos habitats e espécies destas regiões biogeográficas possuem um estado de conservação desfavorável ou desconhecido. 

 

A região biogeográfica Atlântica (litoral norte do território continental português) possui cerca de 70% dos seus habitats com estado de conservação desfavorável e, por outro lado, apenas cerca de 7% das suas espécies possuem estatuto favorável. Acresce ainda que para a região biogeográfica marinha Atlântica não existe informação sobre o estado de conservação dos seus habitats.

 

A região biogeográfica Mediterrânica (todo o território continental português excepto o litoral norte) possui cerca de 65% dos seus habitats com estado de conservação desfavorável e em relação às suas espécies apenas 5% possui estado de conservação favorável.

 

Na região biogeográfica da Macaronésia (arquipélagos da Madeira e Açores) os habitats e espécies com estado de conservação desfavorável atingem os 55% do total.

Estes indicadores preocupantes exigem outra atenção por parte da sociedade e em particular dos governos para com a conservação da natureza. 

 

Os últimos anos têm-se traduzido num desinvestimento nesta área agravado pelo avanço de vários grandes projectos turístico imobiliários e mesmo industriais em zonas de Rede Natura 2000, acentuando a ameaça sobre o nosso rico, mas frágil, património natural. 

 

É fundamental, de uma vez por todas, compreender que deixar a nossa biodiversidade caminhar para a degradação e extinção é desperdiçar um dos recursos mais importantes para o desenvolvimento do país.

 

 

  • Presidente da Direcção Nacional da Quercus

 

 

 

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