2008 em comparação com 2007: mais praias interditas, menos praias com análises más, falha informação sobre Bandeira Azul

A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza analisou os resultados dos 3150 boletins de análises oficiais efectuadas entre a 3ª semana de Maio e a 1ª semana de Agosto nas 519 zonas balneares existentes em Portugal.

 

Os resultados foram compilados com base nos DADOS OFICIAIS disponíveis através da Internet até sábado, dia 9 de Agosto, no site do Instituto da Água: Qualidade da Água em Zonas Balneares, Tabela das Análises (http://snirh.pt/snirh.php?main_id=1&item=1.1).

 

17 praias já estiveram interditas (7 desde o início da época balnear); vários “acidentes” têm perturbado época balnear

Na presente época balnear um conjunto de problemas tem colocado em risco ou mesmo afectado a qualidade da água de algumas praias, tendo nalguns casos conduzido à sua interdição temporária.

 

As situações verificadas incluem desde a descarga de efluentes para o mar por avaria no sistema de tratamento (praia de Olhos de d´’Agua em Albufeira), avarias em estações elevatórias (praias de S. Rafael em Albufeira e Vilamoura em Loulé), derrame de crude (praias de Morgavel e Vasco da Gama em Sines), ocorrência de salmonelas (praia da Lagoa na Póvoa do Varzim), contaminação microbiológica resultante de escorrências de ribeiras próximas (praias de Cascais), até casos crónicos de poluição como os casos das praias de D. Ana e Arnado em Ponte de Lima ou da Foz do Sabor em Torre de Moncorvo.

 

Em anexo apresenta-se a listagem das praias interditas, sendo que na quase totalidade dos casos o motivo da interdição foi a qualidade da água. Na mesma altura no ano passado apenas 9 praias tinham sido interditas, 7 desde o início e 2 por um período limitado de tempo.

 

15 praias com pelo menos uma análise má, aproximadamente metade do ano passado; caso pior é a praia da Berlenga em Peniche

 

Das 519 zonas balneares, 15 praias – 7 costeiras e 8 interiores, já apresentaram, este ano, pelo menos uma análise má. O total de análises classificadas como más já atingiu 25. Uma análise má não significa que a classificação final da praia nesta época balnear venha a ser má, mas é claramente uma indicação de problemas. Exactamente nesta altura no ano passado, no balanço efectuado pela Quercus, 29 praias apresentavam pelo menos uma análise má. A praia que não tem estado interdita de forma permanente desde o início da época balnear (esteve apenas temporariamente) e que maior número de análises más apresentou foi a da Berlenga em Peniche com 3 análises más até ao momento. A razão é a incapacidade de tratamento adequado dos efluentes gerados na ilha.

 

Apesar da melhoria verificada, a Quercus considera fundamental que sejam investigadas e explicadas pelas autoridades as causas prováveis destas análises más e as medidas que estão a ser tomadas para evitar mais ocorrências.

 

Zonas balneares recuperam – Todas as 22 praias com má qualidade na época balnear de 2007 não apresentaram até agora qualquer análise má

 

Apesar da classificação indicativa para a época balnear de 2008 em 22 praias com base nas análises do ano passado (2007) apontarem para uma qualidade má, é significativo mencionar que nenhuma até agora apresentou qualquer análise má. Exceptua-se desta análise as zonas balneares classificadas em 2007 como interditas.

 

Sendo certo que ainda estamos sensivelmente a meio da época balnear, este é um indicador muito positivo de recuperação da qualidade da água e uma informação relevante a ser transmitida aos utilizadores dessas zonas balneares que não devem hesitar em frequentá-las, apesar de deverem continuar a acompanhar a informação relativa às próximas análises.

 

Estacionamento, cães, falta de informação actualizada na internet sobre Bandeira Azul e sobre qualidade da água nas praias dos Açores.

A Quercus irá apelar ao Instituto da Água e à Associação Bandeira Azul para manterem nos seus sítios internet uma listagem actualizada das zonas balneares com bandeira azul hasteada. Infelizmente esta época balnear tem sido pródiga em casos em que a Bandeira Azul tem sido retirada e depois hasteada novamente, sendo que por exemplo em praias como Homem do Leme no Porto e Quinta do Alamal em Gavião o galardão foi retirado definitivamente esta época balnear e essa informação não é dada em nenhum dos sítios em causa.

 

Uma outra preocupação da Quercus é a existência de diversas zonas utilizadas para banhos, sem vigilância (e portanto com potenciais problemas de segurança) e sem controlo da qualidade da água; um exemplo desta situação é o Parque de Albarquel em Setúbal.

 

No que respeita à informação sobre qualidade da água, o sítio do Instituto da Água não tem informação relativa às praias dos Açores após a primeira semana de Julho.

A maioria das queixas que a Quercus tem identificado, quer directamente por visita de membros da associação, quer por contactos recebidos por utentes das zonas balneares, mostram que as principais falhas nas zonas balneares prendem-se com:

 

- problemas associados ao estacionamento anárquico, por vezes em cima das dunas e de outras áreas sensíveis, mesmo em praias em áreas protegidas ou em áreas já objecto de implantação dos planos de praia definidos nos Planos de Ordenamento da Orla Costeira;

 

- apesar da proibição legal que faz parte dos Planos de Ordenamento da Orla Costeira e de sinalização presente na praia, vários utentes continuam a levar cães para a praia;

 

- falta de informação ou pelo menos de informação actualizada sobre a qualidade da água à entrada ou em local bem visível e acessível nas praias.

 

 

 

Lisboa, 12 de Agosto de 2008

 

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

 

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